Os Maias de Hoje

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História Maia dos dias de hoje
História Maia dos dias de hoje

A história maia não termina com a conquista dos espanhóis. Os maias de hoje não são simplesmente os descendentes degenerados desta fabulosa civilização, como muitas vezes nos fazem crer.

Na época da conquista, a Espanha era supersticiosa e grandemente influenciada pela Sagrada Inquisição. Devemos recordar-nos de que, enquanto o resto da Europa vivia no Renascimento, a Espanha continuava na Idade Média, muito para trás dos seus vizinhos, após oito séculos de domínio árabe. Havia pobreza por todo o lado e o país estava enfraquecido pela instabilidade dos seus pequenos reinos. Dado este estado de coisas, a maioria dos conquistadores era analfabeta e faltava-lhe a cultura necessária para apreciar qualquer coisa que encontrasse no «Novo Mundo». O seu principal objectivo era enriquecer com a descoberta de ouro e pedras preciosas.

Como se isto não bastasse, os sacerdotes católicos, a maioria dos quais eram inquisidores, acompanhavam os conquistadores. Estes santos homens viam o diabo a cada esquina e esforçaram-se por destruir todos os vestígios da cultura maia. Assassinaram os Anciãos e H-Menob’, ou sacerdotes maias, deixando o povo devastado e privado dos seus chefes. Os Anciãos sabiam que estava para chegar aquele tempo de trevas, pois as Profecias haviam sido muito claras. Por isso, muitos deles tinham-se já embrenhado no coração da selva, ou escondido nas montanhas, onde mantiveram as suas linhagens, governantes e cosmovisão.

Os conquistadores nunca conseguiram subjugar todas as tribos maias. Por exemplo, os Tayasal, nas margens do lago Petén Itzá, na região de Petén, na Guatemala, nunca foram vencidos. Os maias continuaram a viver aí e levaram uma vida tradicional até ao final do Século XIX, quando decidiram mudar-se para outro local. No México, os espanhóis nunca conseguiram passar de Mérida, no Yucatán, uma cidade que os H-Menob’ deixaram aos conquistadores quando se mudaram para a selva e ao longo das costas do Yucatán e de Quintana Roo. Foi apenas neste século que os maias começaram a ser assimilados pela sociedade ocidental. O mesmo se poderá dizer dos Ixiles, das províncias montanhosas de Quiché e de Huehuetenango, na Guatemala. Esses povos tiveram pouco ou nenhum contacto com a civilização europeia até aos anos 1940, por isso a tradição e a cultura maias subsistiram. Os povos Chamula, Chortí, Chol, Dzensal, Tzotzil e Lacandón nas montanhas Chiapas, no México, são considerados como alguns dos mais clássicos preservadores da herança. A cultura continuou também na províncias de San Marcos e Huehuetenango, berço da civilização Mam e do ancestral Q’anjob’al. Na província de Alta Verapaz, berço da civilização Q’eqchi, apenas o Q’eqchi era falado até cerca de há aproximadamente quinze anos e a sua herança foi preservada intacta durante todo esse tempo. Este honrado povo venceu os espanhóis em todas as batalhas e nunca foi conquistado. O seu governante da altura assinou na realidade um armistício em Espanha com o próprio rei, que declarou o reino Q’eqchi livre e não tributável. Este território cobria o que são agora as províncias de Alta Verapaz, Baja Verapaz, Izabal e a parte sul de Petén, na Guatemala, bem como a parte sul de Belize. Foram os monges dominicanos, conduzidos por frei Bartolomeo de las Casas, que anexaram estes povos, através de uma baixa traição. Depois de terem estabelecido a sua presença na região, os monges permitiram que viessem os caçadores de fortunas e os soldados e mataram os chefes Q’eqchi.

Maias

Após quinhentos anos de escravatura, exploração, isolamento, discriminação e extrema pobreza, não admira que os maias tenham cessado de construir as suas pirâmides e que tenham perdido alguns dos seus impressionantes conhecimentos e capacidades. Tal não se passa com outros aspectos da sua tradição. Os maias desenvolveram um modo de vida baseado numa teocracia, governada por reis que eram também Ajq’ijab’ (guias espirituais), representando o Pai Sol sobre a Terra. Possuindo um vasto conhecimento que o mundo ocidental está apenas a começar a descobrir, refinaram as artes e desenvolveram as mais altas formas de espiritualidade. Os grande sábios preservaram esta Ciência esotérica e os antepassados Ajq’ij e sábios maias continuaram a passá-la de geração em geração, no interior dos vários clãs. O misticismo mágico sustém a cosmovisão maia e forma a base de uma tradição viva, talvez a mais antiga na memória humana.

Os maias de hoje, os milhões de pessoas indígenas nas terras montanhosas da Guatemala, no sul de Chiapas, no nordeste da Guatemala e nalgumas áreas do Yucatán são os herdeiros da Grande Tradição. Há Anciãos em Petén que ainda sabem ler os hieróglifos dos ancestrais maias. Há vários códices secretos guardados no nordeste e noutros locais que esperamos que sejam revelados. Dada a incrível amplitude de informação científica, matemática e astronómica dos quatro códices conhecidos, com certeza que aqueles que continuam guardados revelarão ainda mais maravilhas do antigo conhecimento.

De acordo com as Profecias, tem havido um ressurgimento de profunda espiritualidade maia durante o nosso presente período. Mais de 60% da população guatemalteca é de origem maia. Apesar da introdução de outras religiões durante o último meio século, a maioria segue a tradição dos seus Antepassados. Cada vez mais pessoas por todo o mundo estão a começar a reconhecer o potencial da singular e pragmática simplicidade da tradição maia para nos conduzir a um estado de consciência suprema.

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