Aeronaves da antiguidade

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Artefactos com cerca de 1500 anos de idade feitos de ouro e em forma de aeronaves
Artefactos com cerca de 1500 anos de idade feitos de ouro e em forma de aeronaves

Em 12 de Dezembro de 1903, os irmãos Wright fizeram o primeiro voo controlado de sempre num avião a motor em Kitty Hawk, na Carolina do Norte. Pelo menos, esta é a versão oficial. Mas será que o Homem já teria dominado a capacidade de voar, talvez centenas, ou até mesmo milhares de anos antes? Alguns investigadores acreditam que existem indícios de ser este o caso, mas que o conhecimento se perdeu. Os indícios físicos para o voo na antiguidade chegam-nos principalmente sob a forma de enigmáticos artefactos sul-americanos e Egípcios e de inscrições Egípcias.

Os primeiros exemplos são os assim chamados aviões de ouro da Colômbia. Alguns destes artefactos são datados de cerca de 500 d. C. e foram atribuídos à cultura tolima, que habitou as terras altas da Colômbia entre cerca de 200 d. C. e 1000 d. C. Tradicionalmente descritos pelos arqueólogos como estatuetas de animais ou insectos, os objectos parecem mostrar características compatíveis com a Tecnologia aeronáutica, tais como asas em delta, estabilizadores verticais e elevadores horizontais. Um outro exemplo, um pendente em forma de peixe-voador estilizado numa liga de ouro, veio da cultura calima no Sudoeste da Colômbia (200 a. C. –  600 d. C.). Uma fotografia desse pendente foi incluída num livro de Erich Von Dãnicken, «O Ouro dos Deuses», de 1972, e ele acreditava que o objecto representava uma aeronave utilizada por visitantes do espaço. Apesar de os arqueólogos pensarem que se trata de uma representação estilizada de um peixe-voador da região, existem algumas características, particularmente na cauda, que parecem significativamente diferentes de tudo o que se possa encontrar na Natureza.

Aeronaves antigas
Aeronaves antigas

Mais exemplares de ouro foram feitos pela cultura sinú na costa da Colômbia, uma comunidade de artesãos do ouro que existiu entre 300 e 1550. Estes objectos tinham cerca de cinco centímetros de comprimento e eram utilizados como pendentes num colar. Em 1954, alguns exemplares dos modelos sinú encontravam-se entre a colecção de artefactos de ouro antigos que o governo colombiano enviou numa digressão pelos EUA; quinze anos mais tarde, uma reprodução moderna de um dos artefactos foi oferecida ao autor e zoólogo Ivan T. Sanderson para que a examinasse. A sua conclusão foi que, aparentemente, o objecto não tinha as características de qualquer animal alado que se conheça. Por exemplo, as asas posteriores eram em forma de delta e com linhas rectas, diferentes de qualquer animal ou insecto. Sanderson pensou que parecia mais mecânico que biológico e chegou a sugerir que representava uma aeronave veloz com pelo menos mil anos. Com efeito, as semelhanças que os objectos tinham com aeronaves encorajaram o Dr. Arthur Poyslee a levar a cabo experiências em túneis de vento no Instituto Aeronáutico de Nova Iorque, onde obteve resultados positivos quanto às capacidades de voo dos objectos. Em Agosto de 1996, uma reprodução de um destes modelos à escala de 16:1 foi posta a voar com êxito por três engenheiros alemães: Algund Eenboom, Peter Belting e Conrad Lübbers. A partir das suas pesquisas, chegaram à conclusão de que o artefacto original se assemelhava mais com o moderno vaivém espacial ou com o Concorde do que com um insecto.

A maioria destes intrigantes pendentes sul-americanos tem quatro asas (ou duas asas e uma cauda) e não se parece com quaisquer insectos ou pássaros conhecidos. É certo que são modelos estilizados, mas as suas semelhanças com os aviões modernos ou até com o vaivém espacial são surpreendentes. Contudo, se quisermos acreditar que os objectos foram feitos como representações de algum tipo de veículo aéreo que voou de facto, muitos deles têm um ou dois problemas. Em primeiro lugar, na maioria dos modelos as asas estão colocadas muito para trás do centro de gravidade do objecto, o que tornaria difícil conseguir um voo estável; por outro lado, o nariz não se assemelha de todo ao de um avião.

Aeronaves antigas
Aeronaves antigas

Surpreendentemente, muito pouca investigação original foi levada a cabo quanto à origem destes artefactos pelos defensores da Teoria das Aeronaves Antigas. A maioria dos artigos na Internet sobre aeronaves pré-colombianas menciona modelos da «América do Sul» ou da «América Central» encontrados em túmulos, mas a sua proveniência exacta nunca é referida, na maioria dos casos, e geralmente não são mencionadas quaisquer datas exactas. Talvez isso se deva em parte aos prolíferos saques feitos a túmulos na Colômbia e ao aparecimento posterior dos seus conteúdos nos mercados de antiguidades da América do Sul, situação que ainda hoje ocorre com frequência. No entanto, a vasta maioria dos sites na Internet que se dedicam ao assunto das aeronaves da antiguidade na América do Sul limitam-se a reproduzir um artigo de 1996, escrito por Lumir G. Janku, no website Anomalies and Enigmas. Sem a realização de mais pesquisas sobre a sua origem e contexto cultural exacto, apelidar estes intrigantes artefactos de modelos de aeronaves da antiguidade é no mínimo desaconselhável.

Outro pequeno modelo semelhante a um avião, que os egiptólogos acreditam ser um falcão de asas abertas, veio de Saqqara, no Egipto. Aparentemente foi descoberto em 1898 no túmulo de Pa-di-Imen, no Norte de Saqqara, que data dos Séculos III ou IV a. C. O objecto foi feito com madeira de plátano, tem um comprimento de 14,2 cm, uma envergadura de 18,3 cm e pesa cerca de trinta e nove gramas. Existem hieróglifos na sua cauda onde se pode ler «O Presente de Amon». O deus Amon do Antigo Egipto estava associado ao vento. Depois desta descoberta, o objecto foi armazenado no Museu do Cairo até 1969, quando Khalil Messiha, um professor egípcio de Anatomia e estudioso de modelos antigos, deu conta da sua semelhança com um avião ou planador moderno. Também reparou que enquanto que outros modelos de pássaro no museu tinham pernas e penas pintadas, este não. Messiha era da opinião de que a concepção do objecto apresentava muitas qualidades aerodinâmicas. Depois de o seu irmão, um engenheiro aeronáutico, ter construído com pau de balsa um modelo do objecto que conseguiu voar, o Dr. Messiha ficou convencido de que o Pássaro de Saqqara representava um antigo modelo à escala de um planador.

Contudo, Martin Gregorie, de Harlow, no Essex, que já concebe, constrói e pilota planadores há mais de trinta anos, não está de acordo com essa interpretação do objecto. Ao experimentar uma réplica, ele concluiu que sem uma cauda (a superfície fixa horizontal e plana na cauda de uma aeronave), que ele acha que o modelo nunca teve, o seu voo seria completamente instável. Mesmo depois de ter adaptado uma cauda ao modelo, os resultados foram pouco convincentes. Gregorie sugeriu que o modelo pode ter sido um catavento ou até talvez um brinquedo de criança. Larry Orcutt, do website Catchpenny Mysteries, acredita que o objecto pode ter sido um catavento para indicar a direcção do vento a bordo de uma embarcação. Ele baseou essa ideia em figuras de pássaros encontradas nos mastros de embarcações representadas em relevos no Templo de Khonsu, em Karnak, que datam do final do Novo Reino (Século XII a. C.). Orcutt também sublinhou que existem indícios de tinta no bico e na cauda, o que indica que foi outrora um modelo de pássaro ricamente pintado. Os olhos negros do objecto, que são de facto as pontas de uma barra de obsidiana colocada através da cabeça, não são mostrados em muitas das fotografias do modelo em circulação, o que aumenta significativamente a sua semelhança com uma aeronave. Em consequência, apesar de o Pássaro de Saqqara parecer ser dotado de uma ou duas qualidades aerodinâmicas, a possibilidade de se tratar do único modelo à escala de uma aeronave egípcia que sobreviveu aos tempos parece improvável. Os exemplares disponíveis de brinquedos e jogos de tabuleiro muito bem construídos no Antigo Egipto levam-nos a pensar que o objecto seria o modelo de um pássaro ou talvez o brinquedo de uma criança.

Aeronaves antigas
O Helicóptero do Templo de Abydos

Aquele que é provavelmente o indício mais controverso do voo na antiguidade vem de umas intrigantes gravuras presentes num painel do Templo de Seti I, da 19ª Dinastia, em Abydos, no Egipto. Estes incríveis desenhos parecem mostrar um helicóptero, talvez um tanque, e algo semelhante a uma nave espacial ou um avião a jacto. De facto, um destes desenhos alcançou um estatuto lendário como «O Helicóptero do Templo de Abydos». Então, estes incríveis hieróglifos demonstram que os Egípcios do Século XIII a. C. possuíam Tecnologia do Século XXI? Infelizmente, algumas das fotografias destes glifos que circulam na Internet foram alteradas digitalmente para enfatizar as características aeronáuticas. Contudo, ainda existem algumas fotografias não adulteradas que mostram estes extraordinários hieróglifos de veículos aéreos, aparentemente modernos.

No entanto, Katherine Griffis-Greenberg, da Universidade do Alabama, bem como muitos outros arqueólogos e egiptólogos, afirmam que estas gravuras extraordinárias são palimpsestos – escrita mais recente feita sobre escrita mais antiga. A teoria dos egiptólogos é de que, neste caso particular, foi adicionado estuque às gravuras antigas e foram feitas novas gravuras. Posteriormente, o estuque acabou por cair devido ao desgaste do tempo, deixando pedaços sobrepostos das gravuras mais recentes sobre as antigas e fazendo com que as imagens parecessem aeronaves modernas. E certamente um facto que houve muitas sobreposições nas gravuras do Antigo Egipto, quando os faraós no poder tentavam reclamar para si o trabalho de reis anteriores ou destruir a sua reputação. Parece que, no caso do painel do Helicóptero de Abydos, o que aconteceu foi que o rei Ramsés II, bem conhecido por se apropriar da obra dos seus antecessores, cobriu o painel do rei anterior, Seti I, com a sua própria inscrição. Mais especificamente, o texto hieroglífico consiste de facto em parte do título de Ramsés II, traduzido como «O das Duas Senhoras, que suprime os nove países estrangeiros». Esta inscrição está sobreposta ao título real de Seti I, que foi originalmente gravado na pedra.

Contudo, aqueles que acreditam no Helicóptero de Abydos argumentam que inscrições sobrepostas que resultam em imagens tão semelhantes a aeronaves modernas dificilmente seriam uma coincidência. Mas há outros factores que tornam a existência de aeronaves no Egipto Antigo bastante improvável. Um é a completa inexistência de quaisquer máquinas voadoras em todos os achados do Antigo Egipto. Deveria existir mais gravuras sobre o assunto, mas não existem. Além disso – e isto aplica-se a todas as Teorias de Aeronaves na Antiguidade -, não existe um único indício de Tecnologia que dê apoio a uma indústria aeronáutica. Se as culturas do Egipto e da América do Sul tivessem desenvolvido e construído tais coisas como helicópteros e aviões, teriam necessitado de uma enorme indústria de fabrico para os próprios veículos, para não falar da produção de combustível, minas para obter metais e armazéns. Onde está tudo isso? Se os antigos andassem por aí a voar em modernos aviões e helicópteros, certamente que existiriam mais indícios do que uma colecção de modelos ambíguos e um solitário painel de hieróglifos talhados sobre a entrada de um templo. Não se pode negar que a ideia do voo humano deve ter certamente ocorrido em muitas culturas da antiguidade, como pode ser visto na literatura da Índia por exemplo, e talvez esta tenha sido parte da inspiração para os enigmáticos modelos sul-americanos. Contudo, no presente, as provas físicas de que eles o tenham alcançado são, no mínimo, contestáveis.

Fonte: Livro «História Oculta» de Brian Haughton

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