Ahnenerbe, o Instituto de Pesquisas Nazi

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Ahnenerbe, o Instituto de Pesquisas Nazi
Ahnenerbe, o Instituto de Pesquisas Nazi

A Ahnenerbe era um instituto de pesquisas Nazi que promoveu-se como uma “sociedade de estudo intelectual de História Antiga“. Fundada a 1 de Julho de 1935, por Heinrich Himmler, Herman Wirth e Richard Walther Darré, o objectivo da Ahnenerbe foi pesquisar a história arqueológica e cultural da raça ariana e mais tarde experimentar e iniciar viagens com a intenção de provar que na pré-história, as populações mitológicas nórdicas outrora governaram o mundo. O nome veio de uma palavra alemã bastante obscura, Ahnenerbe (pronuncia-se AH-nen-AIR-buh), significando “algo herdado dos antepassados.” A missão oficial da Ahnenerbe era descobrir “novas evidências das realizações e feitos dos ancestrais germânicos através de métodos científicos exactos”.

Formalmente, o grupo foi apelidado de Studiengesellschaft für GeistesurgeschichteDeutsches Ahnenerbe e.V. (Sociedade de Estudo para História Intelectual Primordial, Herança Ancestral Alemã, Sociedade Registada), renomeada em 1937 como Forschungs und Lehrgemeinschaft das Ahnenerbe e.V. (Pesquisa e Ensino Comunitário do Património Ancestral, Sociedade Registada).

História e Desenvolvimento

Heinrich Himmler
Heinrich Himmler

Em Janeiro de 1929, Heinrich Himmler foi nomeado o líder da incipiente Schutzstaffel (SS). Ele lançou uma campanha de recrutamento maciço que levou a SS de menos de trezentos membros em 1929 para dez mil, em 1931. Uma vez que a SS tinha crescido, Himmler começou a sua transformação numa “elite racial” de jovens do sexo masculino nórdicos. Isto era para ser feito por uma nova burocracia: O escritorio da raça e colonização da SS (Rasse und Siedlungshauptamt – SS), conhecida como RuSHA. Himmler nomeou como SS-Obergruppenführer Richard Walther Darré para liderar a organização, que determinava se os candidatos eram racialmente adequados para serem da SS. Tal provocou uma campanha que visou educar os novos candidatos sobre o seu passado nórdico através de aulas semanais ministradas por graduados seniores da RuSHA utilizando a revista SS-Leitheft.

A 1 de Julho de 1935 na sede da SS em Berlim, Himmler reuniu-se com cinco especialistas representantes em aspectos raciais, com Darré e com o Dr. Herman Wirth, um dos mais famosos pré-historiadores da Alemanha. Juntos, criaram uma organização chamada “Deutsches Ahnenerbe-Studiengesellschaft für Geistesurgeschichte” (Património Ancestral AlemãoSociedade para o Estudo da História das Ideias Primordiais), mais tarde encurtada para a sua forma mais conhecida em 1937. Na reunião designaram que o objetivo oficial era “promover a ciência da história intelectual antiga” e designou Himmler como o superintendente e o Dr. Wirth, como presidente. Himmler designou Wolfram Sievers como Reichsgeschäftsführer (Secretário Geral) da Ahnenerbe.

Wirth deixou o projecto no começo de 1937. A 1 de Fevereiro, o Dr. Walther Wüst foi nomeado como novo presidente da Ahnenerbe. Wüst era um especialista acerca da Índia e reitor da Universidade Ludwig Maximilians, em Munique, trabalhando ao lado de um homem da sua confiança para a Sicherheitsdienst (Serviço de Segurança da SS). Conhecido como orientalista por Wolfram Sievers, Wüst tinha sido recrutado por ele em Maio de 1936 por causa de sua capacidade de simplificar a Ciência para o homem comum. Depois de ter sido nomeado presidente, Wüst começou a melhorar a Ahnenerbe: mudando o escritório para uma nova sede que custou 300 mil Reichsmark (moeda oficial na Alemanha de 1924 até 1948), nos arredores de Dahlem, em Berlim. Ele também trabalhou para limitar a influência “daqueles que ele considerava sábios académicos”, o que incluía o corte de comunicação com o escritório RuSHA de Karl Maria Wiligut. A organização foi incorporada na Allgemeine SS (SS Geral) em Janeiro de 1939.

Instituições

A Ahnenerbe teve várias instituições diferentes ou secções para os seus departamentos de pesquisa. A maioria destas eram arqueológicas mas outras incluíram a Pflegestätte für Wetterkunde (Secção de Meteorologia), dirigida pelo Obersturmführer, Dr. Hans Robert Scultetus, fundada com o objectivo de que a Welteislehre de Hans Hörbiger pudesse ser utilizada para fornecer previsões meteorológicas precisas de longo alcance e teve uma secção dedicada à musicologia, cujo objectivo era determinar a “essência” da música alemã. Ele gravou a música popular em expedições para a Finlândia e Ilhas Faroé, a partir de grupos étnicos alemães dos territórios ocupados, e no sul do Tirol. Essa secção fez gravações de som, transcreveu manuscritos e cânticos, fotografou e filmou a utilização de instrumentos e danças folclóricas O lur, um instrumento musical da Idade do Bronze, tornou-se central para esta pesquisa, que concluiu que a consonância germânica esteve em conflito directo com atonalismo judaico.

SS
SS

Expedições

1.) Karelia

Em 1935, Himmler contactou o autor Yrjö von Grönhagen, depois de ver um dos seus artigos sobre o folclore Kalevala, publicado num jornal de Frankfurt. Grönhagen concordou em liderar uma expedição através da região de Karelia na Finlândia, para gravar cânticos de feiticeiros e de bruxas pagãs. Porque não havia certezas sobre se os Karelians permitiriam fotografias, o ilustrador finlandês Forsell Ola também acompanhou o grupo. O musicólogo Fritz Bose trouxe um magnetofone na esperança de gravar os cânticos pagãos.

O grupo partiu para a expedição em Junho de 1936. O primeiro sucesso do grupo foi com um cantor tradicional, Timo Lipitsä, que conhecia uma canção muito semelhante a uma do livro Kalevala, embora ele não tenha obtido conhecimento do livro. Mais tarde, em Tolvajärvi, fotografaram e gravaram Hannes Vornanen a reproduzir música num kantele tradicional finlandês.

Um dos sucessos finais da viagem foi encontrar Miron-Aku, uma vidente que a população local acreditava como sendo uma bruxa. Após a reunião do grupo, ela afirmou ter previsto a sua chegada. O grupo convenceu-a a realizar um ritual para a câmera e para o gravador de fita em que ela poderia convocar os espíritos dos antepassados e “adivinhar acontecimentos futuros”.

O grupo também registou informações sobre saunas finlandesas.

2.) Bohuslän

Depois de uma apresentação de slides a 19 de Fevereiro de 1936 da sua viagem à Bohuslän, região no sudoeste da Suécia, Wirth convenceu Himmler a iniciar uma expedição à região, a primeira expedição oficial financiada pela Ahnenerbe. Bohuslän era conhecida pela sua enorme quantidade de gravuras rupestres petróglificas, que Wirth acreditava que faziam parte de um sistema de escrita antigo, anterior a todos os outros sistemas conhecidos. Himmler designou Wolfram Sievers para ser o director da expedição, provavelmente por causa dos problemas anteriores de Wirth em equilibrar as finanças.

A 4 de Agosto de 1936, a expedição partiu numa viagem de três meses a partir da ilha alemã de Rügen, em seguida, continuaram para Backa, na Suécia, o primeiro sítio registado de arte rupestre na Suécia. Apesar das gravações que mostravam guerreiros, animais e navios, Wirth focou-se nas linhas e círculos, ele pensou que constituíam um alfabeto pré-histórico.

Enquanto os seus estudos foram em grande parte com base na crença pessoal, ao invés de pesquisa científica objectiva, Wirth fez interpretações sobre o significado de ideogramas esculpidos nas rochas, como um círculo dividido por uma linha vertical que representa um ano e um homem de pé com os braços levantados que representam o que ele chamava de “o Filho de Deus“. O seu grupo começou a fazer moldes do que Wirth considerava as esculturas mais importantes e, em seguida, levou-os para o acampamento onde seriam encaixotados e enviados para a Alemanha. Uma vez satisfeito com os seus trabalhos na Suécia, Wirth e o seu grupo partiram numa viagem por este país, alcançando por fim a ilha norueguesa de Lauvøylandet.

3.) Itália

Em 1937, a Ahnenerbe enviou para Val Camonica o arqueólogo Franz Altheim e a sua esposa fotógrafa, Erika Trautmann, para estudar inscrições pré-históricas em rochas. Os dois voltaram para a Alemanha alegando que encontraram vestígios de runas nórdicas nas rochas, supostamente confirmando que a antiga Roma era originalmente de ascendência nórdica. Além disso, foi planeada uma expedição da SS-Ahnenerbe  para a Sardenha, na década de 30, na aldeia Arbëreshë (povo de língua albanesa que vive na Itália meridional) de Santa Sofia d’Epiro. Estavam interessados nas abóbadas da família do Baffa Trasci, Miracco e famílias Masci, mas as razões de ainda são desconhecidas.

Ahnenerbe
Ahnenerbe

4.) Médio Oriente

Em 1938, o Dr. Franz Altheim e a sua parceira de pesquisa Erika Trautmann, pediram apoio à Ahnenerbe para a sua jornada no Médio Oriente para estudar uma luta interna pelo poder do Império Romano, que eles acreditavam que foi travada entre os povos nórdico e semita. Ansiosos por creditar o vasto sucesso do Império Romano por ter um passado nórdico, a Ahnenerbe concordou em igualar os 4000 Rentenmark apresentados por Hermann Göring, um velho amigo de Trautmann,, que liderou o plano de quatro anos do Reich.

Em Agosto de 1938, depois de passar alguns dias em viagem por colinas remotas em busca de ruínas dos reinos de Dacian, os dois pesquisadores chegaram à sua primeira grande paragem em Bucareste, capital da Roménia. Aqui Grigore Florescu, o director do Museu Municipal, reuniu-se com eles e discutiu História e a Política do dia, incluindo a actividade da Iron Guard, um grupo fascista e anti-semita.

Depois de viajar por Istambul, Atenas e Líbano, os pesquisadores seguiram para Damasco. Aqui não foram bem recebidos pelos franceses (que governavam a Síria como colónia na época). O Reino recém-soberano do Iraque estava a ser cortejado para uma aliança com a Alemanha e o Dr. Fritz Grobba, o enviado alemão a Bagdad, arranjou para Altheim e Trautmann uma reunião com pesquisadores locais, para serem conduzidos às ruínas Partas e Persas no sul do Iraque, bem como na Babilónia.

Através de Bagdad o grupo foi para o norte, para Assur, onde conheceram Adjil el Sheikh Yawar um líder da tribo beduína Shammar e comandante a norte da Camel Corps. Ele discutiu política alemã e o seu desejo de repetir o sucesso de Abd al-Aziz ibn Saud, que tinha subido ao poder na Arábia Saudita. Com o seu apoio, os pesquisadores viajaram para a sua paragem final – as ruínas de Hatra, na fronteira dos impérios romano e persa.

5.) Nova Suábia

A terceira expedição à Antárctica pela Alemanha ocorreu entre 1938 e 1939. Foi liderada pelo capitão Alfred Ritscher (18791963).

6.) Alemanha (Vale Murg)

Em 1937 e 1938, Gustav Riek liderou uma escavação do Grosse Heuneberg, onde um antigo castelo tinha sido descoberto muito antes. Eles também estudaram as proximidades dos túmulos Tumulus, que continuam a ser escavados actualmente. A expedição privada de Richard Anders e Wiligut no Vale Murg não tinha nada a ver com a Ahnenerbe.

7.) Alemana (Mauern)

Muito provavelmente a maior descoberta da Ahnenerbe na Alemanha foi no sul de Jura nas montanhas da Baviera. Durante uma escavação das cavernas Mauern, RR Schmidt tinha descoberto ocre vermelho, um pigmento comum em pinturas rupestres feitas pelo homem de Cro-Magnon.

No Outono de 1937, o Dr. Assien Bohmers, um nacionalista frísio que se candidatou para o departamento de escavações da SS no início desse ano, assumiu a escavação. A sua equipa começou a encontrar artefactos como buris, pingentes de marfim, e um esqueleto de mamute lanoso. Eles também descobriram vestígios de neandertais enterrados que parecia estarem a lançar lanças e dardos, uma Tecnologia que teria sido desenvolvida pelos Cro-Magnons.

Bohmers interpretou que tal significava que os Cro-Magnons haviam deixado essas pedras nas cavernas há mais de 70 mil anos fazendo com que este local Cro-Magnon fosse o mais antigo do mundo. Para validar as suas afirmações, Bohmers viajou pela Europa, falou com colegas e visitou exposições na Holanda, Bélgica e França.

8.) França

No Instituto Parisiense de Paleontologia Humana, Bohmers reuniu-se com Abbé Henri Breuil, especialista em arte rupestre. Breuil providenciou para Bohmers uma visita a Trois Frères, um local cujos proprietários só permitiam um pequeno número de visitas. Antes, porém, Bohmers fez uma rápida viagem a Londres, seguida de uma visita a outros pontos de interesse franceses: La Fond de Gaume (um local Cro-Magnon com pinturas rupestres), Teyat, La Mouthe e as cavernas de Dordogne. Em seguida, foi para Bohmers Les Trois-Frères.

9.) França: Tapeçaria de Bayeux

A Ahnenerbe teve grande interesse na tapeçaria de Bayeux com 900 anos de idade . Em Junho de 1941, supervisionaram o transporte da tapeçaria da sua origem, na Catedral de Bayeux, para uma abadia em Juaye-Mondaye e finalmente, para o Palácio de Sourches. Em Agosto de 1944, depois de Paris ter sido libertada pelos aliados, dois membros da SS foram enviados para Paris para recuperar a tapeçaria que tinha sido movida para a cave do Louvre. Contrariamente às ordens de Himmler, no entanto, eles optaram por não tentar entrar no Louvre, provavelmente por causa da forte presença da resistência francesa na zona histórica.

10.) Tibete

Em 1937, Himmler decidiu que poderia aumentar a visibilidade da Ahnenerbe ao investigar as alegações de Hans FK Günther de que os primeiros arianos teriam conquistado grande parte da Ásia, incluindo ataques contra China e Japão em meados de 2000 a. C. e que Gautama Buda era ele mesmo um descendente ariano de raça nórdica. Walther Wüst mais tarde expô-lo num discurso público, onde referiu que as ideologias de Adolf Hitler correspondiam às de Buda, já que os dois compartilharam uma herança comum.

Ahnenerbe
Ahnenerbe

11.) Polónia

Após a invasão da Polónia, Wolfram Sievers escreveu a Himmler sobre a necessidade de se apropriar de exposições de vários museus. Da administração principal de segurança do Reich, Standartenführer Franz Six supervisionou o SS-Untersturmführer Peter Paulsen, que estava a comandar um pequena pequena equipa em incursão em Cracóvia, com a intenção de obter o altar Veit Stoss do Século XV.

Devido aos polacos terem previsto o interesse alemão no altar, desmontaram-no antecipadamente em 32 peças, que foram enviadas para locais diferentes. No entanto, Paulsen conseguiu localizar todas as peças, e em 14 de Outubro de 1939, retornou a Berlim com o altar em três pequenos camiões, e tendo-o guardado no cofre do Reichsbank. Depois de conferenciar com Hitler, que inicialmente não tinha sido informado da operação para capturar o altar, foi decidido enviar este para um cofre subterrâneo em Nuremberga, por razões de segurança.

Reinhard Heydrich, então chefe da RSHA (Escritório Central de Segurança do Reich), enviou Paulsen de volta a Cracóvia de modo a aproveitar as colecções de museus adicionais. Mas Göring já tinha enviado um grupo dos seus próprios homens, comandados pelo SS-Sturmbannführer Kajetan Mühlmann sob a supervisão de Dagobert Frey, para pilhar os museus. Mühlmann concordou em deixar Paulsen levar os itens científicos de volta para a Ahnenerbe, deixando a arte para Göring.

Durante a pilhagem no entanto, Hans Frank lider do governo geral alemão na Polónia ocupada, emitiu a 22 de Novembro de 1939 uma decisão que proíbe a “exportação não aprovada” de itens polacos. Paulsen obedeceu à ordem, mas o seu colega Hans Schleif organizou cinco vagões de pilhagem do museu arqueológico de Varsóvia para ser enviado para Poznan, que estava fora do controlo de Frank. Em troca, Schleif foi nomeado como administrador para Wartheland. Paulsen mais tarde tentou ter crédito pelo o conteúdo dos vagões no seu relatório enviado para a RSHA, mas foi transferido.

Eduard Tratz Paul da Ahnernerbe também retirou algumas das peças do museu zoológico do estado em Varsóvia e transferiu-as para o Haus der Natur, o museu do qual foi fundador e director, em Salzburgo.

12.) Criméia

Depois do exército alemão ter conquistado a Criméia no início de Julho de 1942, Himmler enviou o Dr. Herbert Jankuhn, assim como Karl Kersten e o Barão Wolf von Seefeld, para a região, à procura de artefactos, para Himmler acompanhar a recente exibição do Kerch “coroa gótica de Crimeia “, em Berlim.

Jankuhn reuniu-se com altos funcionários do Einsatzkommando 11, parte do Einsatzgruppe D, enquanto esperava na sede campo da 5 ª Divisão Panzer da SS. O comandante Otto Ohlendorf deu a Jankuhn informações sobre os museus da Criméia.

Ao viajar com a 5ª SS Panzer, o grupo de Jankuhn finalmente chegou a Maikop, onde recebeu uma mensagem de Sievers, que informava que Himmler queria uma investigação de Mangup Kale, uma antiga fortaleza nas montanhas. Jankuhn enviou Kersten para dirigir-se a Mangup Kale, enquanto o resto da equipa continuou a tentar assegurar artefactos que não tinham sido ainda arrebatados pelo Exército Vermelho. O comandante da Einsatzkommando 11b, Werner Braune auxiliou o grupo.

Jankuhn acabou por ser incapaz de encontrar artefactos góticos denotando linhagem alemã, mesmo depois de mostrar inteligência acerca de um carregamento de setenta e duas caixas de artefactos enviados para um armazém médico. A área havia sido devastada quando o grupo chegou, e apenas vinte caixas permaneceram, contendo artefactos gregos e da Idade da Pedra, ao invés de gótico.

13.) Ucrânia

Em Junho de 1943, Untersturmführer Heinz Brücher de 27 anos, que realizou um doutoramento em botânica na Universidade de Tübingen, foi encarregado de uma expedição à Ucrânia e à Crimeia. Hauptsturmführer Konrad von Rauch e um intérprete identificado como “Steinbrecher” também participaram na expedição.

Em Fevereiro de 1945, Brücher recebeu ordens para destruir os 18 centros de pesquisa em actividade, a fim de evitar a sua captura por forças soviéticas. Ele recusou, e depois da guerra continuou o seu trabalho como um botânico na Argentina e em Trinidad.

Expedições canceladas

Bolivia

Depois de ganhar 20 mil Reichsmark num concurso de redacção, Edmund Beijo viajou para a Bolívia em 1928 para estudar as ruínas de templos na cordilheira das montanhas Andes. Ele alegou a sua semelhanças com construções europeias antigas, o que poderia indicar que teriam sido construídas por emigrantes nórdicos de há milhares de anos atrás.

Também afirmou que as suas descobertas apoiam a Teoria da Cosmogonia Glacial, que afirma que o Universo se originou a partir de um choque cataclísmico entre bolas gigantes de gelo e massa incandescente. Arthur Posnansky estava a estudar um local chamado Tiwanaku, que também era tido como passível de apoiar essa teoria.

Após contactar Posnansky, Beijo abordou Wüst para ajudar a planear uma expedição para escavar Tiwanaku e um local próximo, Siminake. A equipa seria composta por vinte cientistas e iriam escavar durante um ano, bem como explorar o Lago Titicaca, tirar fotografias aéreas de estradas incas que antigos acreditavam teriam raízes nórdicas. No final de Agosto de 1939, a expedição chegou quase ao ponto de iniciar-se, no entanto, por causa da primeira invasão da Polónia por volta Setembro acabou por ser adiada indefinidamente.

Irão

Em 1938, o presidente da Ahnenerbe o Walther Wüst propôs uma viagem ao Irão para estudar a inscrição de Behistun, que havia sido criada por ordem de Achaemenid Shah Darius I que haviam declarado ter sido de origem ariana nas suas inscrições. As inscrições foram registradas sobre penhascos íngremes utilizando andaimes que foram removidos após as inscrições sido finalizadas. Incapaz de pagar o custo de erigir novos suportes, Wüst propôs que ele, a sua esposa, um amanuense, um estudante iraniano, um fotógrafo e um alpinista experiente serem enviados com uma câmera instalada num balão. Com o início da guerra, no entanto, a viagem foi adiada indefinidamente.

Portão de Tiahuanaco
Portão de Tiahuanaco

Ilhas Canárias

Os primeiros viajantes para as Ilhas Canárias haviam descrito os nativos Guanche como tendo cabelo louro-dourado e pele branca. Tinham sido encontradas múmias com tranças loiras, aspecto que Wirth acreditava como indicativo de que as ilhas já tinham sido habitadas por nórdicos. O seu colega Dr. Otto Huth propôs uma expedição no Outono de 1939 para estudar as origens raciais dos antigos ilhéus, assim como os seus artefactos e rituais religiosos. Na altura, as Ilhas Canárias eram parte do estado espanhol de Francisco Franco. Devido a Franco ter-se recusado a ficar do lado do “Eixo”, quando a guerra começou, a viagem foi cancelada.

Islândia

O Dr. Bruno Schweizer já tinha viajado para a Islândia três vezes em 1938, quando propôs uma expedição Ahnenerbe com mais sete pessoas para o país, de modo a aprender sobre as antigas práticas agrícolas e arquitectura, registos de canções populares, danças e também recolher amostras de solo para análises de pólen.

O primeiro contratempo para a expedição foi o ridículo da imprensa escandinava, ao publicar algumas histórias em Fevereiro de 1939, alegando que a expedição foi baseada em ideias falsas sobre o património islandês, procurando registos de igrejas antigas que nem sequer existem. Um enfurecido Himmler cancelou publicamente a viagem, mas depois de se acalmar, permitiu o planeamento da viagem para que esta fosse secreta. O revés final ocorreu quando o pessoal de Himmler foi incapaz de obter suficientes coroas islandesas (moeda da Islândia). Ao não ser capaz de resolver rapidamente esse problema, a viagem foi remarcada para o Verão de 1940. Em Maio de 1940, os britânicos invadiram uma Islândia neutra, mas quando a guerra começou, a expedição já tinha sido arquivada.

Em 1940, após a ocupação britânica da Islândia, a Ahnenerbe financiou o Dr. Kress, um pesquisador alemão que estava no país na época, foi capturado, juntamente com outros cidadãos alemães presentes na ilha. <spanKress foi internado em Ramsey, na Ilha de Man, mas foi autorizado a corresponder-se com Sievers através de cartas. A gramática de Kress sobre a Islândia acabou por ser publicada na Alemanha Oriental em 1955. Kress mais tarde também trabalhou para a Staatssicherheit (StasiMinistério para a Segurança do Estado) na Alemanha de Leste.

Outras atividades da Ahnenerbe

Plano Director de Leste

Depois de ser nomeado comissário de fortalecimento da raça alemã, Himmler começou a trabalhar com Konrad Meyer no desenvolvimento de um plano para três grandes colónias alemãs nos territórios ocupados de leste. Leningrado, no norte da Polónia e a Criméia, seriam os pontos focais destas colónias destinadas a difundir a raça ariana. A colónia da Criméia foi chamada de Gotengau, ou “Distrito Gótico” em honra dos góticos da Criméia que lá se estabeleceram e se acreditava serem ancestrais arianos dos alemães.

Himmler estimou que a arianização da região levaria 20 anos, primeiro com a expulsão de todas as populações indesejáveis, e de seguida, com a redistribuição do território, delegando-o a populações arianas. Além de mudar a demografia da região, a intenção era também plantar árvores como o carvalho e a faia para reproduzir florestas alemãs tradicionais, bem como de plantar novos cultivos trazidos do Tibete. Para alcançar o fim último, ordenou uma nova instituição criada pela Ahnenerbe e chefiada por Schäfer. Foi então criada uma estação perto da cidade austríaca de Graz, onde Schäfer começou a trabalhar com outros sete cientistas para desenvolver novas culturas para o Reich.

A última peça do puzzle ficou em pratica após Hitler ler uma obra de Alfred Frauenfeld que sugeriu re-assentar moradores do sul do Tirol, que alguns acreditam serem descendentes dos godos, para a Criméia. Em 1939, os habitantes do sul do Tirol foram ordenados por Hitler e Benito Mussolini a votar sobre se queriam permanecer na Itália e aceitar a assimilação ou, alternativamente, emigrar para a Alemanha. Mais de 80% escolheu a segunda opção. Himmler apresentou o plano director do leste a Hitler e recebeu a aprovação, em Julho de 1942.

A aplicação integral do plano não era viável por causa da guerra em curso, mas foi, de facto, fundada uma pequena colónia em torno da sede do campo de Himmler em Hegewald, perto de Kiev. Começou em 10 de Outubro de 1942, quando as tropas de Himmler deportadoram 10.623 ucranianos da área, em vagões de gado, antes de trazer os comboios de alemães étnicos (Volksdeutsche) do norte da Ucrânia. As autoridades das SS deram às famílias os mantimentos necessários, bem como terra no seu próprio país, mas também os informaram das quotas de alimentos que precisavam produzir para a SS.

Ahnenerbe
Ahnenerbe

Captura falhada do manuscrito Tacitus

A Ahnenerbe tentou apoderar-se do Codex Aesinas, uma cópia medieval famosa do Tacitus Germania. Embora Mussolini tivesse-o inicialmente prometido como presente em 1936, o documento manteve-se na posse do conde Aurelio Baldeschi Guglielmi Balleani nos arredores de Ancona, de onde a Ahnenerbe tentou obtê-lo após Mussolini ter sido destituído.

Relocalização da sede

No dia 29 de Julho de 1943, o bombardeamento da Força Aérea Real a Hamburgo levou Himmler a ordenar a evacuação imediata da sede principal da Ahnenerbe em Berlim. A extensa biblioteca foi transferida para um castelo em Ulm, enquanto a equipa foi transferida para a pequena vila de Waischenfeld perto de Bayreuth, Bavaria. O edifício escolhido foi do Século XVII em Steinhaus. Embora grande parte do pessoal não estivesse em êxtase em relação às condições primitivas, Sievers parece ter-se adaptado bem ao isolamento.

Financiamento

Originalmente financiada com modestas doações da fundação alemã de pesquisa e da organização agrícola do Reich, a Ahnenerbe começou a necessitar de mais recursos. Para satisfazer este fim, criaram a Fundação Ahnenerbe, que procurou doações privadas para ajudar a financiar a pesquisa. Uma das maiores doações, cerca de 50 mil Reichsmark, veio do Deutsche Bank, dos associados do membro do conselho do Emil Georg von Stauss , incluindo a BMW e a Daimler-Benz.

Em 1936, a SS formou uma empresa conjunta com Anton Loibl, um mecânico e instrutor de condução. A SS tinha ouvido falar sobre pedais reflectores para bicicletas, que Loibl e outros tinham vindo a desenvolver. Assegurando que Loibl tinha a patente, Himmler, de seguida, usou o seu peso político para garantir a aprovação de uma lei (Lei 1939) exigindo o uso dos novos pedais de reflexão no qual a Ahnenerbe recebera uma parte dos lucros, 77.740 Reichsmark em 1938.

Experiências médicas

O Institut für Wehrwissenschaftliche Zweckforschung (Instituto de Pesquisa Científica Militar), que conduziu extensas experiências médicas utilizando seres humanos, tornou-se ligado ao Ahnenerbe durante a Segunda Guerra Mundial. Foi gerido por Wolfram SieversSievers tinha fundado a organização sob as ordens de Himmler, que o nomeou director de divisões, sendo estas lideradas por Sigmund Rascher e August Hirt, ambas financiadas pela Waffen-SS.

Campo de concentração de Dachau

O Dr. Sigmund Rascher foi encarregado de ajudar a Luftwaffe a determinar o que era seguro para os seus pilotos devido às aeronaves que estavam a ser construídas puderem voar mais alto do que nunca. Ele solicitou e recebeu permissão de Himmler para requisitar prisioneiros do campo para colocá-los em câmaras de vácuo para simular as condições de grande altitude que os pilotos podiam enfrentar.

Rascher também foi encarregado de descobrir quanto tempo os aviadores alemães seriam capazes de sobreviver se fossem abatidos sobre a água fria. As suas vítimas (prisioneiros) foram obrigadas a permanecer fora de portas nuas em baixas temperaturas até 14 horas, ou mantidas num tanque de água gelada por 3 horas, a sua pulsação e temperatura interna foram medidas através de uma série de electrodos. O aquecimento das vítimas foi então experimentado com diferentes métodos, mais habitualmente e com sucesso através da imersão em água muito quente e também com métodos menos convencionais, como colocar o sujeito na cama com mulheres que tentavam estimulá-lo sexualmente, um método sugerido por Himmler.

Rascher também experimentou os efeitos de Polygal, uma substância feita a partir de beterraba e pectina de maçã, que servia para coagular o fluxo de sangue para ajudar com ferimentos de bala. Foi ministrado um comprimido de Polygal a indivíduos, que posteriormente recebiam um tiro no pescoço, peito ou lhes era amputados membros sem anestesia. Rascher publicou um artigo sobre a sua experiência no uso de Polygal sem detalhar a natureza dos testes em humanos e também criou uma empresa para fabricar a substância, composta por prisioneiros.

Experiências semelhantes foram realizadas de Julho a Setembro de 1944. A Ahnenerbe forneceu espaço e materiais para médicos em Dachau para realizar “experiências de água salgada” principalmente através de Sievers. Sievers é conhecido por ter visitado Dachau a 20 Julho, desse ano, para falar com Ploetner e com Wilhelm Beiglboeck (que não fazia parte da Ahnenerbe), que por fim realizou as experiências.

Crânios

Walter Greite subiu para a liderança da divisão de estudos aplicados à natureza da Ahnenerbe em Janeiro de 1939 e começou a tomar nota das medidas anatómicas detalhadas de 2.000 judeus no escritório emigração em Viena, mas os cientistas não foram capazes de usar os dados. A 10 de Dezembro de 1941, reuniu-se com Beger Sievers e convenceu-o da necessidade de 120 crânios judaicos. Durante os posteriores julgamentos de Nuremberg o Dr. Friedrich Hielscher testemunhou que Sievers inicialmente sentia repulsa da ideia de expandir as actividades da Ahnenerbe à experimentação humana, e que não tinha “nenhum desejo de participar nisso.”

Fonte: Wikipédia (En)

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