Acusações de antisemitismo a David Icke

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David Icke
David Icke

Alguns comentaristas escreveram que as teorias de Icke sugerem uma forma de antissemitismo, por causa das suas referências a uma elite secreta que controla o mundo, incluindo famílias judias bastante proeminentes que lidam com bancos, as quais, ele afirma, planearam o Holocausto e financiaram Adolf Hitler. Icke também faz referências aos Protocolos dos Sábios de Sião. Na sua obra, …And the Truth Shall Set You Free, Icke escreveu o seguinte:

«Estou convencido de que um pequeno grupo de judeus, que despreza a própria raça judia, trabalhou com não judeus a fim de provocar a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa de 1917 e a Segunda Guerra Mundial. Essa elite judia/não judia usou a Primeira Guerra Mundial para assegurar a Declaração de Balfour e o princípio d’O Estado Judeu. Depois, dominou a Conferência de Paz de Versailles e criou as circunstâncias que tornaram inevitável a Segunda Guerra Mundial. Além disso, financiou a ascensão de Hitler em 1933 e  disponibilizou verba para o rearmamento da Alemanha

Em 1995, Alick Bartholomew of Gateway, àquela época editor de Icke, disse ao Evening Standard londrino que uma versão anterior de “…And the Truth Shall Set You Free” continha material sobre o Revisionismo do Holocausto. A página de Icke na Internet possui um fórum em que participantes apresentam, regularmente, relatos históricos incluindo o revisionismo do holocausto, as teorias de conspiração antissemita e as ideias pró-nazi.

Icke mencionou publicações da supremacia branca, neo-nazi e outras de extrema-direita nos seus livros. O jornalista britânico Simon Jones menciona que a bibliografia de “…And the Truth Shall Set You Free” lista The Spotlight, publicado anteriormente pelo extinto partido político Liberty Lobby, o qual Icke diz ser “excelente”, e On Target, publicado pela Australian League of Rights, a qual organizou palestras para David Irving, um escritor que nega a existência do Holocausto. Jones escreve o seguinte: “É tentador rotular David Icke como um homem confuso e ignorante, manipulado por extremistas a fim de apresentar sua filosofia num formato socialmente aceitável. Porém, Icke entende claramente as implicações de suas palavras”.

Mark Honigsbaum escreveu sobre a aparente ligação entre os defensores mais extremos da nova era e o movimento militar de extrema-direita nos Estados Unidos. Os livros de Icke contêm múltiplas referências aos “Illuminati“, os quais Icke e o movimento militar acreditam ser o governo secreto que eles apelidam de “Nova Ordem Mundial“. Em 1995, Honigsbaum escreveu no Evening Standard londrino que o Combat 18, o grupo briânico neo-nazista, estaria a publicar as palestras de Icke na Inglaterra na sua revista interna, Putsch. A revista afirmava que Icke falou sobre “‘as ovelhas’ e como os ‘illuminati‘ as utilizam para seus propósitos”. A revista não pára por aí; continua dizendo que: “[Icke] começou a falar sobre a grande conspiração de um grupo de banqueiros, dos papas da imprensa, etc., nunca mencionando, de forma inteligente, o que todos eles tinham em comum”.

Icke acredita que o Combat 18 é uma frente da Liga Antidifamação (ADL), a qual, por vezes, é uma frente dos “Illuminati“. O papel da ADL, diz ele, é o de “rotular como antissemita” qualquer um que chegue bem próximo da “verdade”. Em …And the Truth Shall Set You Free, Icke escreveu o seguinte: «Em Inglaterra, soube, através de fonte bastante confiável, muito próxima do Serviço de Segurança e Serviço Secreto britânicos que o grupo de extrema-direita, Combat 18, é uma frente para a sinistra Liga Antidifamação, ramo norte-americano do serviço secreto de Israeli/Rothschild, o Mossad. a Liga Antidifamação (ADL) opera na Inglaterra e Europa desde 1991 e o seu papel é o de rotular como antissemita qualquer um que chegue bem próximo da verdade do que está a acontecer. Que maneira melhor para desacreditar um investigador do que possuir um grupo de “extrema-direita” como o Combat 18 para elogia-lo?”

Icke negou veementemente que os seus répteis representem judeus, baptizando-o de “asneira deslavada”. “Não sou um antissemita!”, disse ao The Guardian, “Tenho grande respeito pelo povo judeu”. Icke mantém a ideia de que os reptilianos não são humanos e, portanto, não são judeus, porém são “entidades extraterrestres” que invadem as mentes humanas e as controlam. “Isso não é uma conspiração judia. Não é uma conspiração contra o mundo urdida pelo povo judeu”, disse Icke a Jon Ronson.

O jornalista britânico Louis Theroux, ao comentar a obra de Jon RonsonThem: Adventures with Extremists“, teve cuidado em não acusar Icke de antissemitismo: “a teoria de Icke é basicamente Os Protocolos dos Sábios de Sião com um novo elenco e algumas mudanças no roteiro. Como não seria de se surpreender, Icke tornou-se suspeito de antissemitismo. Além da suspeita ser injusta, sugere-se que ele seja tão perigoso que precise ser censurado e os cães de guarda dão um tal ar de seriedade às suas ideias que – francamente – se tornam bem imbecis”.

Protestos no Canadá

Em 1999, com os protestos do Congresso Judeu Canadiano, os livros de Icke foram retirados das lojas da Indigo Books and Music de Ontário e vários locais em que estariam marcadas palestras cancelaram o acordo com David Icke. Apesar disso, a Universidade de Toronto permitiu que o seu discurso fosse feito, mesmo com a presença de 70 protestantes, inclusivamente o Partivo Verde de Ontário, do lado de fora do Hart House Theatre. Icke foi ovacionado após palestrar por quatro horas.

O professor de direito Edward Morgan da Universidade de Toronto escreveu, em 30 de Setembro de 1999, para o reitor da universidade, Robert Pritchard: “Tendo me envolvido em célebres casos no Canadá lidando com literatura agressiva, no meu ponto de vista, este é precisamente o tipo de material difamador com o qual a Suprema Corte do Canadá estaria preocupada na sua decisão, referindo-se à proibição do Código Criminal Canadiano. As publicações elogiam traços clássicos de antissemitismo, estando repletas de referências a uma sociedade secreta que gerencia uma conspiração global, liderada por um grupo de judeus manipuladores”.

Sumari Communications, a qual financiou uma “tour” de palestras de Icke, negou as alegações: “argumentamos a respeito da questão de antissemitismo, porque a comunidade judaica optou por isolar as citações sobre antissemitismo nos livros de David, quando este último utiliza citações de autores judeus para provar suas teorias. Ninguém está a forçar essas pessoas a estarem aqui, mas o que importa é que eles têm uma escolha. E a isso se chama liberdade e o David nem sequer menciona os judeus nos seus discursos”.

O próprio Icke falou sobre essa questão durante o seu discurso: “Isto é uma conspiração dos judeus? Não, não, não. É uma conspiração? Sim, sim, sim. Estamos a ser manipulados e não me importo se vocês são judeus, chineses, católicos, etc. Todos nós estamos a ser manipulados. E todas as pessoas que se ofendem com aquilo que digo, deveriam pensar em não ficar ofendidos”.

Referências a Judeus nos seus livros

Apesar de todas as polémicas David Icke tem o cuidado de referir inúmeras vezes nos seus livros que o povo judeu não é o responsável pela conspiração, e a estarem envolvidos serão apenas um grupo de judeus de elite.

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