Sociedade Secreta Mensur

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Mensur em 1888
Mensur em 1888

O Século XV, estudantes alemães viajavam em grupos para se protegerem de ataques criminosos. Eram duelistas, especializados em esgrima; a união fazia a força. Os estudantes formavam clubes que lutavam entre si sob um rigoroso código de conduta que exaltava a honra, a lealdade, a coragem e o fair play acima de todas as outras virtudes. Mas, a sua História não terminou há cinco séculos: estes clubes ainda existem. São altamente secretos e os seus membros são, normalmente, da classe alta da Sociedade alemã. São os Mensur.

Actualmente deverão existir 200 associações estudantis na Alemanha. Muitos alemães evitam-nos, pois vêem-nos como neonazis, mas os alumni (estudantes) ocupam posições de poder na Sociedade alemã, bem colocados para “puxar os cordelinhos” pelos membros mais novos, que agora fazem parte destes clubes.

Cada fuchs (raposa — um caloiro de uma destas fraternidades, que ainda não travou um duelo) tem de travar três Mensur, ou duelos, antes de se tornar membro. Os duelistas usam viseiras de aço preto, uma protecção para o nariz e também um lenço grosso à volta do pescoço, para proteger a artéria carótida. Para completar a bizarra e antiquada “protecção” contra a schalger, uma espécie de florete com uma lâmina bastante afiada, usam uma camisola e luvas de malha metálica.

Dois duelistas ficam frente a frente, à distância de uma espada, com um único objectivo: golpear o seu adversário, abaixo da linha do olho, mantendo uma expressão vazia, totalmente desprovida de emoção. Um sinal de medo traz a vergonha e a derrota.

À sua volta, um grupo de membros silenciosos bebem e fumam, enquanto observam os preparativos. Nalguns são visíveis as cicatrizes de outros duelos, uma marca de linhagem e bravura.

De repente, um grito ordena o empunhar das espadas. À ordem de começo segue-se um breve e tenso silêncio. As armas tocam-se, numa sucessão de movimentos rápidos e delicados, mas letais; ataques e contra-ataques desferidos mais rapidamente do que um piscar de olhos. A agressividade da dança das espadas contrasta com a expressão vazia dos duelistas, que estão de pé, imóveis, com a mão esquerda a trás das costas a agarrar com firmeza o cinto.

Mensur, 1912
Mensur, 1912

Outro grito interrompe a cantata dos floretes e, então, tão depressa como começaram, os lutadores param, baixando o florete num movimento em arco, lateralmente. O derramamento de sangue determinou o final do duelo.

Quando alguém se corta, um estudante/cirurgião cose a ferida na hora, sem anestesia, e o duelista ficará para sempre com uma schmiss — a marca nobre que lhe dará estatuto perante os seus “irmãos” para o resto da sua vida privilegiada.

A lealdade é tanta que Adolf Hitler baniu estas associações, pois estes não se separavam dos seus “irmãos” judeus. Quem não pertence ao grupo ainda os vê como um grupo de direita perigoso, outros como um símbolo de uma aristocracia antiga, mas, todos os anos, nas universidades de todo o país, novos membros ingressam ou são convidados enquanto filhos de antigos membros; são atraídos pela camaradagem, o código de honra, as oportunidades de progresso e talvez, acima de tudo, pelo desejo de dominar o medo físico e explorar os nossos complexos instintos animais.

Fonte: Livro: «O Manual das Sociedades Secretas» de Michael Bradley

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