O mistério dos centenários de Vilcabamba

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Vilcabamba
Vilcabamba

Vilcabamba, uma povoação com cerca de 4 mil habitantes no interior do Equador que dista 650 quilómetros para o sul da capital, Quito. As condições sanitárias do local são um desastre, na maioria das casas, não há esgoto nem água encanada. Os seus habitantes fumam, bebem álcool, comem muito sal, bebem muito café e consomem drogas. No entanto são um dos povos com maior proporção de pessoas centenárias no mundo, cerca de dez vezes mais do que a média. Centenários e saudáveis.

Don José Medina
Don José Medina

Um habitante de Vilcabamba, Don José Medina parou de beber aos 106 anos. De vez em quando, ainda bebe aguardente, mas não mais de um copo por dia. Fuma, mas muito menos do que quando “era jovem”, segundo ele até aos 70 anos. Aos 112, não conseguiu largar o “chamico”, cigarro feito com uma erva alucinógena.

Em Vilcabamba é normal encontrar idosos de 110, 120 anos. Leem sem óculos, conservam os dentes originais. A maioria ainda trabalha e tem uma vida sexual activa. Os cabelos ficam brancos quando chega a idade, mas depois voltam à cor natural, sem explicação. E, ao contrário da maioria dos lugares do mundo, os homens vivem mais do que as mulheres.

“Alguma coisa estranha acontece em Vilcabamba“, afirma o médico e escritor argentino Ricardo Coler, um entre tantos profissionais que foram à cidade à procura de uma explicação. Sobre o mistério, ele escreveu “Eterna JuventudVivir 120 Años“, em que relata histórias como a de José Medina.

São várias as teorias que tentam explicar a longevidade saudável dos habitantes de Vilcabamba. Cientistas americanos afirmaram que era a composição da água que bebem. Franceses atribuíram o facto ao clima da região. Outros dizem que é o ar, a alimentação saudável à base de milho, batata, vegetais e pouca carne ou a vida tranquila. Nenhuma explicação foi comprovada até hoje.

Ricardo Coler
Ricardo Coler

“Estudei a água de Vilcabamba e a sua composição parece bastante com a água que se bebe em Buenos Aires“, afirma Coler, que também exclui a possibilidade de a longevidade ser genética. “Até os cachorros vivem mais, vivem cerca de 25 anos. Ninguém descobriu a causa, senão já estaria rico”, conclui.

Há também algumas teorias pseudocientíficas, que vinculam os efeitos benéficos de Vilcabamba à eletricidade no ar ou à possível presença de óvnis e extraterrestres.

Seja qual for a explicação, a fama de Vilcabamba atrai todo tipo de gente. O comediante mexicano Cantinflas, passou o ano de 1968 na cidade, onde foi tratado de problemas cardíacos. Uma ex-executiva da NASA fundou uma espécie de “spa new age” que promove hábitos saudáveis.

Um ex-astronauta e um general do exército americano também estão entre os que circulam pela avenida Eterna Juventud, a principal da cidade. Todos, acredita Coler, vão atrás dos 40 anos a mais de vida.

“Por isso, além dos cientistas, chegam os multimilionários, os crentes, os políticos, os messiânicos. Vêm por esses 40 anos como antes se ia por ouro ao velho oeste ou por petróleo ao Médio Oriente“, afirmou Coler.

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