O misterioso desaparecimento do Navio Marie Celeste

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Navio Mary Celeste
Navio Mary Celeste

Era um navio brigue excelente, com armadura de madeira firme e velas quadradas, quando foi baptizado de Amazon em Spencer Island, Nova Escócia, em 1861. Mas já naquela ocasião havia maus presságios, pois o seu primeiro capitão morreu 48 horas após assumir o comando.

Seguiu-se uma série de desastres menores. Na sua viagem inaugural, o Amazon bateu num dique de pesca, avariando o casco. Durante os trabalhos de reparação, irrompeu um incêndio a bordo, resultando na morte do seu segundo capitão. Sob o comando de um terceiro capitão, empreendeu a sua terceira travessia do Atlântico e colidiu com outro navio no estreito de Dover.

Então, em 1867, o Amazon afundou-se em Blauce-Bay, Terra Nova, onde foi deixado para as equipas de salvamento. Uma empresa norte-americana, finalmente, trouxe-o de volta à superfície, restaurou-o, partiu nele para o sul, onde foi registado sob a bandeira dos Estados Unidos da América e rebaptizado com o nome de Marie Celeste.

O capitão Benjamim S. Briggs adquiriu o Marie Celeste em 1872. No dia 7 de Novembro daquele ano, partiu de Nova York para o Mediterrâneo com a sua mulher, a filha e sete tripulantes, transportando 1.700 barris de álcool comercial no valor de 38 mil dólares.

Em 4 de Dezembro, um navio bergantim inglês encontrou o Marie Celeste a 600 milhas a Oeste de Portugal. Os seus tripulantes abordaram-no, porém não encontraram ninguém nem no convés nem nos porões. A carga estava em boas condições, com uma excepção: tinha sido aberto um único barril de álcool. Os pertences dos tripulantes do Marie Celeste, inclusive os cachimbos e as bolsas para guardar fumo, foram deixados para trás. A última nota escrita no diário de bordo, tem a data de 24 de Novembro, não deu nenhum indicação de algum desastre iminente. A única pista foi um pedaço de balaustrada, que estava no convés, onde deveria haver um bote salva-vidas.

O destino do capitão Briggs, da sua família e dos seus tripulantes permanece como um dos muitos mistérios inexplicáveis dos mares. O que parece evidente é que todos abandonaram o navio num único barco salva-vidas com muita pressa. Talvez tenham temido uma explosão imediata. O álcool, armazenado em condições precárias, pode ter começado a expelir gases no calor dos trópicos. Briggs, que não devia conhecer muito bem a sua carga, pode ter soado o alarme para abandonar o navio. Pode ter soprado vento, afastando o Marie Celeste. A única coisa que sabemos, com certeza, é que nunca saberemos.

Fonte: Livro «O Livro dos Fenómenos Estranhos» de Charles Berlitz

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