Os misteriosos laços entre os animais e os seus donos

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1883
Ligação entre os Animais e os seus Donos
Ligação entre os Animais e os seus Donos

Na minha terra natal, Newark-on-Trent, tive uma vizinha que tinha um gato. O filho da senhora era da marinha mercante. Um dia, a vizinha disse-me que sabia sempre quando o filho ia chegar de licença, mesmo que ele não lhe mandasse dizer quando chegava. O gato ia sentar-se no tapete da entrada e miava durante uma hora ou duas até que ele chegava, “pelo que eu sei sempre quando é hora de fazer o chá para o meu filho”, acrescentava ela.

Não era pessoa para inventar este tipo de coisas, o que não quer dizer que não acrescentasse uns pormenores à história, de cada vez que a contava. A forma perfeitamente natural como aceitava este fenómeno aparentemente paranormal dava-me que pensar. Passar-se-ia, de facto, alguma coisa de estranho? Ou não passaria tudo de uma espécie de ilusão, produto de uma mente supersticiosa, não científica, que tomava os desejos por realidades? Depressa cheguei à conclusão de que muitos donos de animais de companhia tinham histórias idênticas para contar. Casos havia em que os animais pareciam saber com várias horas de antecedência que um membro da família, há muito tempo ausente, estava para regressar. Noutros exemplos, mais triviais, os animais excitavam-se pouco antes de o dono voltar a casa, vindo do trabalho.

Em 1919, o naturalista americano William Long publicou um livro fascinante chamado «How Animais Talk» («Como Falam os Animais»), em que descrevia as reacções de um cão que tinha quando era estudante, um velho setter chamado Don, às suas longas ausências num colégio interno:

“Durante os meus períodos escolares, o Don ficava em casa, muito contrariado; mas parecia saber sempre quando eu estava de regresso a casa. Durante meses a fio andava tranquilamente pela casa e obedecia perfeitamente à minha mãe, que não gostava de cães; mas no dia em que eu vinha de férias saía de casa, não respeitava as ordens e ia postar–se num ponto alto do caminho, de onde podia vigiar o movimento na estrada principal. Chegasse eu a que horas chegasse, ao meio-dia ou à meia-noite, lá estava ele à minha espera. Um dia em que cheguei de surpresa, sem ter avisado da data da minha chegada, a minha mãe deu pela falta do Don e fartou-se de o chamar, sem resultado. Horas depois, como ele não aparecesse à hora do costume para comer nem respondesse às suas repetidas chamadas, foi à procura dele e encontrou-o especado, à espera, no caminho… E foi arrumar o meu quarto, sem ter qualquer dúvida de que ele em breve ia ser preciso. Se o cão tivesse por hábito passar no caminho os seus tempos de ócio, poder-se-ia calmamente explicar o comportamento do cão pela teoria do acaso ou da tentativa e erro; mas nunca ninguém o via parar por ali a não ser em dias em que estavam à minha espera em casa. E houve uma ocasião em que observaram que ele montava vigília a escassos minutos da hora em que o meu comboio partia da cidade distante. Pelos vistos sabia a que horas eu iniciava a minha viagem de regresso a casa.”

Histórias como esta não faltam. Mas até que ponto podemos levá-las a sério? O céptico que, aberta ou intimamente, existe em cada um de nós está sempre pronto para explicá–las com base em mera coincidência, em “indícios subtis”, num apurado sentido do olfacto e da audição, ou então na credulidade, crendice ou ingenuidade de quem quer acreditar neste tipo de coisas.

Estas objecções, expeditas e tipicamente reveladoras de desconhecimento de causa, não resultam de estudos empíricos pormenorizados. Com efeito, não se fez, até hoje, praticamente nenhuma investigação sobre a questão. E se não se faz não é porque não haja um interesse generalizado pelo assunto. Pelo contrário, existe uma grande curiosidade popular pelos misteriosos poderes dos animais de companhia. E também não é por uma questão de custo. As experiências de base não custam praticamente nada. O que tem obstado à investigação científica nesta área é antes uma conjugação de três poderosos tabus: o tabu contra a investigação do paranormal; o tabu contra levar-se a sério os animais de companhia; e o tabu contra as experiências com animais de companhia. De momento, vou pura e simplesmente ignorar estes tabus e passar de imediato a uma experiência possível.

Fonte: LIVRO: «7 Experiências que podem mudar o Mundo» de Rupert Sheldrake

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