REMDESIVIR: Exemplo do “modus operandi” da indústria farmacêutica

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Remdesivir
Remdesivir

O Remdesivir foi o fármaco da Gilead aprovado, em regime de emergência, pela Food and Drug Administration [FDA], a partir do dia 1 de Maio de 2020, para o tratamento da COVID-19, [1][2] após a qual, se generalizou a sua utilização, não somente nos Estados Unidos da América [EUA], como também numa grande variedade de países.

Um desses países foi Portugal, que comprou cerca de 100 mil frascos, até Março de 2021, num investimento de 35 milhões de euros (cerca de 345 euros por frasco) [3][7][8] decisão de aquisição que contou com grande influência de Filipe Froes, [4] pneumologista do Hospital Pulido Valente, que acumula com a coordenação do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a COVID-19, e tem mantido o estatuto de consultor da Direcção Geral da Saúde [DGS], apesar de enormes conflitos de interesse com a Indústria Farmacêutica: desde 2013, recebeu quase 400 mil euros de várias empresas, entre as quais, a Gilead (13.489 euros), a Pfizer (134.574 euros), a Astrazeneca (21.233 euros, entre outras, com claro interesse económico no desenrolar da pandemia. [5]

Não será certamente despiciendo referir, que apesar do seu preço de venda (345 euros), uma dose de Remdesivir custa cerca de 10 euros a produzir. [18][19]

Filipe Froes
Filipe Froes

Filipe Froes foi um dos principais rostos mediáticos da impulsão dada à narrativa oficial da COVID-19, sem nunca declarar os seus conflitos de interesse. No entanto, após algumas denúncias, [5] acabou por ser alvo de um processo, pela sua ligação às farmacêuticas, por parte da Inspecção de Saúde. [6]

Ensaios Clínicos de Remdesivir revelam uma realidade assustadora

Qual é a eficácia e a segurança deste fármaco, tão difundido para o tratamento à COVID-19?

Em 2018, a Gilead inicou em África, um ensaio clínico financiado pela National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) para estudar a eficácia e segurança do Remdesivir para o tratamento do Ébola, que foi planeado para durar de 4 a 8 meses. [13][14]

No entanto, antes do final do ensaio, a Comissão de Revisão de Segurança retirou subitamente o Remdesivir, [15] que se revelou extremamente perigoso. Em 28 dias, os sujeitos que receberam Remdesivir tiveram efeitos secundários letais, incluindo falência de múltiplos órgãos, falência renal aguda, choque séptico, e hipotensão, tendo o grupo experimental do Remdesivir apresentado uma mortalidade de 54% – a maior taxa de mortalidade entre os quatro medicamentos experimentais. [16]

Apesar disto, e surpreendentemente (ou talvez não), 2 meses depois (25 de Fevereiro de 2020), Anthony Fauci anunciou que iria iniciar um ensaio clínico (doravante referido como “Ensaio de Fauci“) para testar a eficácia do Remdesivir para a COVID-19. [17]

National Institute of Allergy and Infectious Diseases
National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Os sujeitos experimentais do ensaio estavam entre a primeira vaga de hospitalizações COVID-19 a partir das quais a NIAID recrutou os 400 voluntários americanos. [17] O comunicado de imprensa do doutor Fauci dizia apenas que o Remdesivir “demonstrou ser promissor nos modelos animais para o tratamento da Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS)”. [17] Não se sabe se a NIAID informou os participantes de que, menos de um ano antes, uma comissão de revisão de segurança tinha considerado o Remdesivir inaceitavelmente tóxico.

Este estudo tornou-se mais um exemplo emblemático de má ciência e enviesamento de dados praticados pela Indústria Farmacêutica. Apesar de proclamar a necessidade de um grupo de controlo com placebo nos ensaios de outros fármacos, [20] Fauci permitiu que neste estudo, o grupo de controlo não recebesse um verdadeiro placebo.

Os investigadores não utilizaram placebo nos doentes mais gravemente doentes e deram aos restantes um “activo comparável” contendo os mesmos agentes do protocolo de tratamento do grupo experimental, substituindo apenas o Sulfobutilo pelo Remdesivir como agente de teste. [22] A utilização dos chamados placebos “tóxicos“- também conhecidos como “fauxcebos” são um artifício fraudulento, um velho truque da Indústria.

Enquanto isso e antes sequer deste estudo ter sido publicado, a revista Lancet publicou um estudo chinês com grupo de controlo que recebeu placebo que demonstrou que o Remdesivir era totalmente ineficaz a reduzir a mortalidade ou reduzir a duração das hospitalizações. Pior que isso, o estudo chinês confirmou a toxicidade mortal do Remdesivir. Os reguladores e investigadores chineses encerraram o ensaio devido a efeitos secundários potencialmente letais. O Remdesivir causou lesões graves em 12% dos doentes, em comparação com 5% dos doentes do grupo placebo. [24]

Ao contrário do ensaio do doutor Fauci, o ensaio chinês foi um estudo aleatório, duplo-cego, controlado por placebo, multicêntrico e revisto por pares, publicado numa das principais revistas científicas do mundo. Todos os dados subjacentes foram disponibilizados.

Depois, em 19 de Outubro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou um estudo definitivo sobre o Remdesivir envolvendo 11.266 pacientes de COVID-19 em 405 hospitais e 30 países. O estudo concluiu que o Remdesivir não conseguiu reduzir a mortalidade, a necessidade de ventiladores ou a duração das estadias hospitalares. [28] Os investigadores da OMS não encontraram benefícios detectáveis no Remdesivir e recomendaram a sua não-utilização em doentes com COVID-19. [29]

Apesar da recomendação da OMS contra a utilização do Remdesivir, este continuou a ser administrado em Portugal. [30]

Em 2 de Outubro de 2020, a União Europeia publicou o seu próprio relatório de análise de segurança do Remdesivir, que relatou graves efeitos secundários, sobretudo a nível renal. [32][33]

Em 15 de Julho de 2021, um grande estudo da Johns Hopkins confirmou mais uma vez que “o tratamento Remdesivir não estava associado a uma maior sobrevivência, mas sim a estadias hospitalares mais longas.” [31]

Reacções à aprovação de Remdesivir 

O British Medical Journal (BMJ) salientou: “Até agora, nenhum dos ensaios controlados aleatorizados publicados demonstrou que o Remdesivir salva significativamente mais vidas do que os cuidados médicos normais.” [25]

Eric Topol do Scripps Research Translational Institute salientou que a FDA deixou uma má imagem em todo o processo, sobretudo através das opacas negociações com a União Europeia. [26]

Eric Topol
Eric Topol

A revista Science Magazine afirmou que o doutor Fauci tinha “surpreendido os cientistas que acompanharam de perto os ensaios clínicos do Remdesivir ao longo dos últimos 6 meses, e que têm muitas dúvidas sobre o valor do fármaco.” [26]

Duncan Richard, professor da Universidade de Oxford, observou que este tipo de investigação [Ensaio de Fauci] “deve ser tratada com extrema cautela por não haver grupo de controlo nem aleatorização, que são essenciais às boas práticas dos ensaios clínicos.” [27]

Stephen Evans, professor em farmacoepidemiologia, na London School of Hygiene & Tropical Medicine (financiada por Bill Gates), fez uma avaliação particularmente mordaz: “os dados deste artigo [Ensaio de Fauci] são quase ininterpretáveis. É muito surpreendente, e talvez até pouco ético, que o New England Journal of Medicine o tenha publicado.”

Foi [Ensaio de Fauci] uma trapalhada tão grande, que o próprio Bill Gates se viu obrigado a reconhecer ter sido “caótico” e não ter oferecido evidências sólidas dos benefícios do Remdesivir. [23]

Assassínio mediático da Ivermectina (IVM) e Hidroxícloroquina (HCQ) 

Não desejo entrar no debate acerca da eficácia e segurança destes fármacos (IVM e HCQ). No entanto, não deixa de ser curioso o seu assassínio mediático.

Dois fármacos utilizados há décadas e considerados seguros, passaram subitamente a ser rotulados como “desparasitante para cavalos” (IVM) e “veneno perigoso” (HCQ).

Independentemente da utilidade de ambos, parece óbvio que para se poder colocar no mercado, de forma generalizada, um novo fármaco muito mais caro (oportunidade de facturar biliões), a prioridade passou por eliminar a crescente popularidade de alternativas, cujos direitos de patente expiraram, podendo adquirir-se um genérico pelo valor de cerca de 10 euros.

Outros Interessados

Anthony Fauci
Anthony Fauci

Além do interesse da própria Gilead, houve outras partes interessadas, como o NIAID, cujo director é precisamente, Anthony Fauci e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que investiram 79 milhões de dólares no desenvolvimento do Remdesivir. [10] Além disso, também a Fundação Bill & Melinda Gates tem uma participação de 6,5 milhões de dólares na Gilead. [11][12]

Uma hipótese clínica

Os próximos parágrafos devem ser encarados somente como uma hipótese. Não tenho evidências clínicas ou epidemiológicas que o confirmem.

As maiores preocupações em relação aos efeitos secundários do Remdesivir, dizem respeito a problemas renais, mais propriamente, falências renais agudas em indivíduos sujeitos à terapêutica. [38] Também é comum a falência múltipla de orgãos. [39]

A falência renal aguda tem uma taxa de mortalidade, por vezes, acima de 50%. [34] A insuficiência renal aguda pode afectar os pulmões, aumentando a permeabilidade vascular pulmonar e promovendo a hemorragia pulmonar. [35] A combinação de lesão pulmonar aguda e insuficiência renal acarreta uma mortalidade espantosamente elevada de 80%. [36]

A falência renal foi referida como uma complicação comum da COVID-19, muitas vezes com proporções elevadas (10% a 50%) nos doentes mais graves. [37] Terá este evento clínico uma etiologia diferente da assumida na generalidade, sendo causado pela administração do Remdesivir e não como consequência da COVID-19?

Os EUA, assim como o Brasil e alguns países europeus que aprovaram e generalizaram a utilização do Redemsevir, cotaram-se também como os países com as mais altas de mortalidade a nível mundial, [41] o que levou alguns médicos a questionar-se se muitas das mortes não estariam relacionadas com a utilização do fármaco. [40]

Seria interessante analisar a associação entre taxas de mortalidade nos países que utilizaram o Remdesivir como tratamento generalizado da COVID-19, e os que não o fizeram.

Talvez a falência renal, entre outros efeitos adversos muito reportados nos ensaios clínicos do Remdesivir possam ter causado algumas das complicações mais graves registadas pela COVID-19, inclusive um aumento na mortalidade?

Dadas as circunstâncias, é relevante considerar a hipótese.

Conclusão

O Remdesivir (cunhado por algumas enfermeiras americanas como “Run-death-is-near”, traduzido, “fujam, a morte está próxima”), inicialmente apontado como tratamento para o Ébola, revelou ser um tóxico particularmente nefasto e letal para uma percentagem inaceitável dos participantes nos seus ensaios clínicos, causando perplexidade pela sua aprovação como fármaco de preferência para o tratamento da COVID-19, o que só se explica por uma forma de actuar que visa o lucro sem olhar a meios, por parte da Indústria Farmacêutica e de alguns agentes reguladores que beneficiam com os seus ganhos.

O nosso país não escapou a essa forma de actuar, através da acção de agentes bem remunerados como Filipe Froes, o que é demonstrativo do colossal acúmulo de influência e riqueza do polvo farmacêutico.

Gilead
Gilead

Graças a este tipo de manobras, em Outubro do ano transacto, a Gilead já registava um lucro de quase 2 biliões de dólares, com a venda do Remdesivir, [9] em mais um excelente exemplo do “modus operandi” da Indústria.

Fica por apurar se o Remdesivir poderá ter contribuído para a mortalidade inusitadamente elevada registada em Portugal em Janeiro de 2021, num período onde provavelmente se continuou a administrar o fármaco, apesar das indicações contrárias da OMS.

Fontes:

[1] «EUA 046 Gilead Remdesivir LOA Outpatients», FDA. 21 de Janeiro de 2022

[2] «VEKLURY® (remdesivir) reduced recovery time by 5 days in the ACTT-1 overall study population», vekluryhcp.com

[3] «Covid-19 – Medicamento remdesivir», Serviço Nacional de Saúde (SNS). 22 de Outubro de 2020

[4] «“NÃO HÁ DÚVIDAS SOBRE O BENEFÍCIO DO REMDESIVIR, DESDE QUE UTILIZADO PRECOCEMENTE NOS DOENTES CERTOS”», Medico News. 24 de Março de 2021

[5] «Filipe Froes tem incompatibilidades para ser consultor da Direcção-Geral da Saúde», Página Um. 4 de Janeiro de 2022

[6] «Inspecção da Saúde abre processo a relações de Froes com farmacêuticas», Novo Semanário. 26 de Novembro de 2021

[7] «OMS desaconselha uso de medicamento remdesivir. Portugal comprou 100 mil frascos», Diário de Notícias. 20 de Novembro de 2020

[8] «Antiviral remdesivir já rendeu à fabricante 766 milhões de euros», Diário de Noticias. 28 de Outubro de 2020

[9] «Resurgent Veklury delivers Gilead $1.9B in sales and an earnings surprise», Fierce Pharma. 29 de Outubro de 2021

[10] «Role of the Federal Government in the Development of Remdesivir», Keionline.org. 20 de Março de 2020

[11] «Return of Private Foundation», Department of the Treasury Internal Revenue Service

[12] «FORM 10-K: GILEAD SCIENCES, INC.», UNITED STATES SECURITIES AND EXCHANGE COMMISSION

[13] «Investigational Therapeutics for the Treatment of People With Ebola Virus Disease», Clinicaltrials.gov. 25 de Outubro de 2018

[14] «Experimental drugs poised for use in Ebola outbreak», nature.com. 18 de Maio de 2018

[15] «Investigational Drugs Reduce Risk of Death from Ebola Virus Disease», National Institutes of Health. 27 de Novembro de 2019

[16] «A Randomized, Controlled Trial of Ebola Virus Disease Therapeutics», The New England Journal of Medicine. 12 de Dezembro de 2019

[17] «NIH clinical trial of remdesivir to treat COVID-19 begins», National Institutes of Health. 25 de Fevereiro de 2020

[18] «Minimum costs to manufacture new treatments for COVID-19», ScienceDirect. Abril de 2020

[19] «Fair price for Gilead’s COVID-19 med remdesivir? $4,460, cost watchdog says», Fierce Pharma. 4 de Maio de 2020

[20] «Dr. Anthony Fauci: No placebo-controlled trial has shown hydroxychloroquine is effective», CNBC – Television (Youtube). 31 de Julho de 2020

[21] «Remdesivir for 5 or 10 Days in Patients with Severe Covid-19», The New England Journal of Medicine. 5 de Novembro de 2020

[22] «EMA/357513/2020», European Medicine Agency. 25 de Junho de 2020

[23] «Bill Gates on Covid: Most US Tests Are ‘Completely Garbage’», Wirend.com. 7 de Agosto de 2020

[24] «Remdesivir in adults with severe COVID-19: a randomised, double-blind, placebo-controlled, multicentre trial», The Lancet. 29 de Abril de 2020

[25] «Covid-19: What now for remdesivir?», The BMJ. 20 de Novembro de 2020

[26] «The ‘very, very bad look’ of remdesivir, the first FDA-approved COVID-19 drug», Science.org. 28 de Outubro de 2020

[27] «expert reaction to a study about compassionate use of remdesivir for patients with severe COVID-19», Science Media Centre. 11 de Abril de 2020

[28] «Covid-19: Remdesivir has little or no impact on survival, WHO trial shows», BMJ. 19 de Outubro de 2020

[29] «WHO recommends against the use of remdesivir in COVID-19 patients», World Health Organization. 20 de Novembro de 2020

[30] «Portugal continua a usar remdesivir apesar de nova orientação da OMS», Diário de Notícias. 20 de Novembro de 2020

[31] «Association of Remdesivir Treatment With Survival and Length of Hospital Stay Among US Veterans Hospitalized With COVID-19», JAMA Network. 15 de Julho de 2021

[32] «Meeting highlights from the Pharmacovigilance Risk Assessment Committee (PRAC) 28 September – 1 October 2020», European Medicines Agency. 2 de Outubro de 2020

[33] «EU medicines agency studies effect of COVID-19 drug on kidneys», Euronews. 2 de Outubro de 2020

[34] «What are mortality rates of acute kidney injury (AKI)?», Medscape. 24 de Dezembro de 2020

[35] «Renal ischemia/reperfusion leads to macrophage-mediated increase in pulmonary vascular permeability», Junho de 1999

[36] «Acute kidney injury and lung dysfunction: a paradigm for remote organ effects of kidney disease?», NCBI. 11 de Setembro de 2008.

[37] «High odds severe Covid-19 can lead to kidney injury or failure, medical studies reveal», CNBC. 3 de Agosto de 2020

[38] «Remdesivir in COVID-19 Patients with Impaired Renal Function», JASN. Fevereiro de 2021

[39] «Compassionate Use of Remdesivir for Patients with Severe Covid-19», The New England Journal of Medicine. 11 de Junho de 2020

[40] «Quotes From Robert F. Kennedy, Jr. Book: “The Real Anthony Fauci”», A Quiet Simple Life.. 1 de Janeiro de 2022

[41] «Remdesivir is approved for testing on coronavirus patients in Brazil and Europe», TAVARES Legal IP Expertise.

 

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