Cochrane Collaboration e a COVID-19

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Cochrane Collaboration e a COVID-19
Cochrane Collaboration e a COVID-19

A Cochrane Collaboration é uma organização sem fins lucrativos, independente, da qual fazem parte mais de 28.000 voluntários em mais de cem países. [1] A organização foi criada para responder à necessidade de organizar de forma sistemática os resultados de investigação em medicina, de modo a facilitar a tomada de decisões médicas e a ajudar a compreender em que campo é necessária mais investigação. [2]

O seu nome surgiu em tributo a Archibald (Archie) L. Cochrane. [3]

A Cochrane Collaboration é a maior organização mundial dedicada a preparar, manter e promover a acessibilidade a revisões sistemáticas da literatura e de RCT’s (Random Control Trials) dos efeitos das intervenções médicas, procurando divulgar os resultados e conclusões que deles derivam. As revisões são publicadas na Biblioteca Cochrane. [4]

Trata-se de uma organização de referência mundial ao nível da sua qualidade científica.

A Cochrane Collaboration Portugal lançou dois relatórios muito interessantes sobre:

1 – Falsos Positivos

Num relatório de 19 de Outubro de 2020 [5] com o nome “Se testar positivo à Covid‐19, estou infectado pelo SARS‐CoV‐2?”, faz-se o cálculo de Falsos Positivos e Falsos Negativos, segundo determinada Prevalência, Sensibilidade e Especificidade. Nalguns casos, poderá verificar-se o substancial nível de Falsos Positivos. No entanto, importa sublinhar que os níveis de prevalência usados para calcular são elevadíssimos se comparados com o real, ou seja, a Taxa de Falsos Positivos é ainda muito superior na realidade. Este relatório serve para enfatizar as limitações da testagem em massa.

O mesmo se pode concluir num estudo publicado na revista Clinical Microbiology and Infection, onde se conclui que apesar de poder ter uma Especificidade elevadíssima, tudo dependerá do grau de prevalência da doença na população. [6]

Recordemo-nos que a UniLabs definiu a Especificidade do teste como sendo de 97%. [7] No entanto, a primeira revisão de estudos que comparam PCR com padrões de ouro concluiu que a Especificidade do PCR para o SARS-CoV-2 é chocantemente baixa: de 20% a 40%, o que a torna pior do que aleatória. [8]

2 – Medidas Preventivas Aplicadas

Num relatório recente, de 30 de Novembro de 2020, cujo título é “As medidas não‐farmacológicas usadas para reduzir a propagação de vírus respiratórios têm benefícios modestos”, conclui-se que as máscaras apresentam efeitos modestos ou mesmo inexistentes para a propagação de vírus respiratórios. [9]

3 – Conclusão

Porque é que a nossa Comunicação Social fica em silêncio perante estas publicações?

Porque é que se continua a ignorar a ciência, continuando a alimentar uma narrativa supersticiosa?

Porque é que continuam a apelidar de negacionistas quem apresenta evidências científicas que contrastam com a sua ausência das mesmas?

Fontes:

[1] Cochrane

[2] Allen, C., Richmond, K. (2011). The Cochrane Collaboration: International activity within Cochrane Review Groups in the first decade of the twenty‐first century. https://doi.org/10.1111/j.1756-5391.2011.01109.x

[3] Gerry B. Hill (2000). Archie Cochrane and his legacy. An internal challenge to physicians’ autonomy?. Journal of Clinical Epidemiology, 53, 12, 1189-1192. DOI:https://doi.org/10.1016/S0895-4356(00)00253-5

[4] R J P M Scholten, M Clarke & J Hetherington (2005). The Cochrane Collaboration. European Journal of Clinical Nutrition volume 59, 147–149.

[5] Newsletter – 19 Outubro 2020 ‐ nº 55 – Instituto de Saúde Baseada na Evidência. Se testar positivo à Covid‐19, estou infectado pelo SARS‐CoV‐2?

[6] Skittrall, J. et al. (2020). Specificity and positive predictive value of SARS-CoV-2 nucleic acid amplification testing in a low-prevalence setting. DOI: https://doi.org/10.1016/j.cmi.2020.10.003

[7] «Testes feitos aos jogadores da I Liga terão dado “falsos positivos”.» Observador. 23 de Maio de 2020.

[8] Jefferson, T., Spencer, E., Brassey, J., Heneghan, C. (2020) Viral cultures for COVID-19 infectivity assessment – a systematic review (Update 4). doi: https://doi.org/10.1101/2020.08.04.20167932

[9] Newsletter – 30 Novembro 2020 ‐ nº 67 – Instituto de Saúde Baseada na Evidência. As medidas não‐farmacológicas usadas para reduzir a propagação de vírus respiratórios têm benefícios modestos.

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