COVID-19: a Nova Estirpe

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COVID-19: A Nova Estirpe
COVID-19: A Nova Estirpe

No final do ano de 2020, começaram a circular notícias acerca de uma nova estirpe do SARS-CoV-2.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou que tinha sido detectada em Inglaterra uma nova estirpe do SARS-CoV-2, possivelmente até 70% mais transmissível que a anterior. Esta notícia foi confirmada pelo responsável máximo pela Saúde britânica, Matt Hancock, que assumiu que o vírus estava descontrolado em Inglaterra. [1]

Definição de Estirpe

Não há um consenso na comunidade científica acerca da definição de “estirpe” (assim como também não há para “variante” ou o chamado “isolate”). [2]

No entanto, há algumas tentativas de definição que são mais consensuais, de entre as quais, cito a seguinte:

«Variante de um dado vírus que é reconhecida porque possui algumas características fenotípicas únicas que se mantêm estáveis sob condições naturais.» [3] Ou seja, tem de haver propriedades biológicas distintas para se considerar que há uma nova estirpe.

Ainda segundo os mesmos autores, “diferenças na sequência genómica não garantem o estatuto de estirpe porque não apresentam um fenótipo que seja distinguível.” [3]

Como não há consenso, há autores que interpretam algumas alterações menores a nível genético como “novas estirpes”. Num artigo que estudou a distribuição genética do SARS-CoV-2 a nível geográfico, os autores dizem mesmo que o vírus SARS-CoV-2 “apresenta uma taxa de mutação muito baixa”. O que se denotam são alterações em nucleótidos, o que segundo a definição que avancei, não chegam para promover “diferenças biológicas distintas”, não se podendo assim considerar que se tratam de novas estirpes. [4]

Poderá ser esta lacuna na definição que está a ser aproveitada?

Segundo a informação disponibilizada pelo governo britânico, as alterações podem ser resumidas em 23 mutações, mais precisamente, 19 mutações e 4 deleções. Algumas das mutações ocorreram na proteína espigão (spike), a que dá acesso às células do hospedeiro. [5]

Têm existido rumores acerca de estirpes mais perigosas ao longo de todo o percurso desta alegada pandemia. Em Março, já se alertava para isso. [8]

A generalidade das reacções dentro da comunidade científica foram de cautela:

A responsável técnica da Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à COVID-19, Maria Van Kerkhove, referiu que a nova variante está a ser investigada, mas que, em termos de severidade da doença, a informação de que dispunham é de que não há quaisquer alterações na apresentação clínica ou na gravidade. [6]

Kári Stefánsson, CEO da deCODE, referência mundial na sequenciação genética e que publicou um dos estudos mais citados sobre a propagação da doença, é contundente: “Na nossa opinião esta variante britânica do vírus não é mais contagiosa que a que existia no verão: Não há motivos para dramatizarmos este novo cenário porque mesmo que esta variável seja um pouco mais contagiosa, a diferença é muito pequena.” “Somos de opinião que não há nada nesta variante que vá além do que vimos no chamado novo coronavírus”, reforçou. Referiu ainda que: “não vê razões para o cancelamento das viagens” e que suspeita que “o governo britânico e a OMS estão a usar esta variante do vírus para encorajar as pessoas e outros países a serem mais cuidadosos no Natal”. [7]

Quem foi o autor do estudo que “descobriu” esta nova Estirpe? Neil Ferguson

Neil Ferguson, do Imperial College of London, há décadas que induz em erro com projecções extremamente exageradas de mortalidade para várias doenças. Aconteceu com a “Doença das Vacas Loucas“, a Gripe Aviária e a Gripe Suína. [9]

Aconteceu agora com a COVID-19, tendo Neil Ferguson previsto 40 milhões de mortos COVID-19 para 2020. [9] Foram estas estimativas mirabolantes que estiveram na origem dos confinamentos nos vários países.

Como atestado da sua índole moral, trata-se de alguém que, infringiu o confinamento por si promulgado, para um encontro extra-conjugal com uma mulher casada. [10][11]

E agora, é novamente Neil Ferguson quem surge nos bastidores de novo alarmismo.

Olhando para o artigo em questão: [12]

Os dados são baseados no teste PCR para o SARS-CoV-2, cujo protocolo apresenta extensas lacunas. [13][14]

Além disso, ainda há agravante de neste artigo, os dados terem apenas um alvo (Gene S), em comparação com os 3 (já de si manifestamente insuficientes) do protocolo original.

Gráfico 1. Distribuição por idades do S-Gene Positivo vs. S-Gene Negativo
Gráfico 1. Distribuição por idades do S-Gene Positivo vs. S-Gene Negativo

Olhando para o Gráfico 1 apresentado acima, as barras pretas no topo de cada barra amarela e verde correspondem ao intervalo de confiança dos cálculos, ou seja, a sua margem de erro. Como se pode observar, não há diferença estatisticamente significativa entre a variante e a não-variante.

O gráfico é uma extrapolação não corrigida. Os métodos de cálculo têm várias falhas metodológicas. Usam uma vez mais modelos computacionais sem qualquer prova de eficácia para estimar parâmetros essenciais.

Mais uma prova evidente de como uma peça de algo que nem remotamente se assemelha a “Ciência” (carece de adjectivação), chega às mãos governamentais e passa a ser utilizada como cavalo de batalha no seu desiderato alarmista destrutivo. A alegada pandemia de COVID-19 tem sido, toda ela, baseada neste tipo de equívocos kafkianos.

Conclusão

Não parece haver matéria para se poder concluir existir uma nova estirpe, muito menos uma mais mortal ou contagiosa. O que há são mutações. Muitas. Mais de 3500. [15]

No entanto, foram reunidas as condições suficientes para o aproveitamento mediático, como não poderia deixar de ser, no sentido de incrementar o alarmismo. São este tipo de ondas, que incessantemente arremessadas contra as rochas da integridade emocional dos indivíduos, os vão desgastando continuamente, numa guerra psicológica inexorável.

Não será de surpreender se a narrativa das estirpes vier a ser aproveitada para justificar a ausência de eficácia das vacinas ou gerar novos pânicos futuros. E mais uma vez, baseado em artifícios estatísticos, como tem sido apanágio em todo este processo “pandémico”.

Fontes:

[1] COVID-19: ‘This is deadly serious’ – New coronavirus variant ‘out of control’, health secretary warns. Sky News. 20 de Dezembro de 2020.

[2] Sanjuán R. Quasispecies. In: Mahy BWJ, van Regenmortel MHV, editors. Desk encyclopedia of general virology. Oxford: Elsevier; 2009. pp. 42–48.

[3] van Regenmortel MHV. Virus species. In: Tibayrenc M, editor. Genetics and evolution of infectious diseases. Oxford: Elsevier; 2010. pp. 3–19.

[4] Daniele Mercatelli, Federico M. Giorgi. Geographic and Genomic Distribution of SARS-CoV-2 Mutations. Frontiers in Microbiology, 2020; 11 DOI: 10.3389/fmicb.2020.01800

[5] Investigation of novel SARS-COV-2 variant. Variant of Concern 202012/01. Public Health England.

[6] COVID-19. Virtual Press conference. World Health Organization. 21 de Dezembro de 2020.

[7] „Ekkert dramatískt í þessu breska afbrigði“. RUV. 20 de Dezembro de 2020.

[8] «Here’s why Chinese scientists say there’s a second, more dangerous coronavirus strain.» Los Angeles Times. 5 de Março de 2020.

[9] «As projecções mirabolantes que lançaram alarmismo e conduziram ao confinamento em todo o mundo.» Paradigmas. 11 de Julho de 2020.

[10] «Exclusive: Government scientist Neil Ferguson resigns after breaking lockdown rules to meet his married lover.» The Telegraph. 5 de Maio de 2020.

[11] «BONKING BOFFIN Professor Neil Ferguson’s lover said lockdown ‘strained’ her marriage a day after the couple enjoyed a secret romp.» The Sun. 6 de Maio de 2020.

[12] Voltz, E. et al. (2020). Transmission of SARS-CoV-2 Lineage B.1.1.7 in England: Insights from linking epidemiological and genetic data.

[13] «10 Falhas Fundamentais do Teste para a COVID-19.» Paradigmas. 4 de Janeiro de 2021.

[14] «Teste PCR: participação na Pandemia da COVID-19.» Paradigmas. 18 de Novembro de 2020.

[15] Nextstrain

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