COVID-19: Dissonância Cognitiva

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Dissonância Cognitiva
Dissonância Cognitiva

Introdução

A Dissonância Cognitiva trata-se de uma situação, estudada em Psicologia, onde há conflito entre atitudes, crenças ou comportamentos. [1]

Por exemplo, quando as pessoas fumam (comportamento) e sabem que fumar causa cancro (cognição), ficam num estado de Dissonância Cognitiva. [1]

A Dissonância Cognitiva foi investigada inicialmente pelo psicólogo Leon Festinger (1957) [2], decorrente de um estudo de observação participante num culto que acreditava que a terra seria destruída por um dilúvio, e o que aconteceu com os seus membros – particularmente os realmente empenhados que desistiram das suas casas e empregos para se concentrarem exclusivamente na seita – quando o esperado dilúvio acabou por não acontecer.

Embora os membros menos empenhados tenham ficado mais inclinados a reconhecer que se tinham enganado, os membros mais empenhados demonstraram estar mais propensos a reinterpretar as evidências para demonstrar que não estavam errados (a terra não foi destruída por causa da fidelidade dos membros do culto).

Da mesma forma, a terra não foi destruída pelo prometido terrível cataclismo, dado pelo nome de COVID-19. Mas muitos daqueles que foram conduzidos a acreditar nas projecções iniciais mirabolantes, continuam a agarrar-se ferreamente às crenças às quais foram induzidos, justificando-as com todo o tipo de argumentos inverossímeis: a) Foi por causa das medidas aplicadas (fidelidade dos membros); b) Foi tudo para aplanar a curva; c) O vírus não é mortal mas é contagioso; d) Como é que tantos políticos e jornalistas podem estar enganados?; e) “Não me mostres mais evidências! Não quero saber! És um negacionista e acabou-se!”; f) etc.

Uma pessoa em Dissonância Cognitiva poderá ser como a pupila do olho: quanto mais luz lhe jogas, mais ela se fecha.

A teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger (1957) [2] sugere que temos um impulso interno para manter todas as nossas atitudes e comportamentos em harmonia e evitar a desarmonia (ou dissonância). Isso é conhecido como o princípio da consistência cognitiva.

Quando há uma inconsistência entre atitudes ou comportamentos (dissonância), algo deve mudar para eliminar a dissonância.

Atenção que a teoria não afirma que essa forma de redução da dissonância funciona. Apenas que os indivíduos que estão em estado de Dissonância Cognitiva tomarão medidas para reduzir a extensão da sua dissonância.

O que causa a Dissonância Cognitiva?

1- Comportamento de conformidade forçado;
2- Tomada de decisão;
3- Esforço nesse sentido.

1 – Comportamento de Conformidade Forçado

Quando alguém é forçado a fazer algo que não deseja fazer. É criada uma dissonância entre a sua cognição (não queria faze-lo) e o seu comportamento (fi-lo).

Eu não queria ficar fechado em casa / usar máscara / perder o meu emprego / não poder visitar os meus avós / seguir todo o tipo de regras estúpidas / etc.

Mas fi-lo.

Num estudo de Festinger e Carlsmith (1959) [3], os autores dividiram os participantes em dois grupos. Em ambos, foram “forçados” a realizar uma tarefa enfadonha. Os participantes de um grupo ganharam 1$ e os do outro, 20$. No final, os que ganharam 1$ descreveram a tarefa como muito mais divertida do que os participantes do outro grupo. Porquê? Porque era-lhes muito mais difícil justificar porque tinham aceite realizar uma tarefa tão estúpida. Entraram em Dissonância Cognitiva e as suas mentes “criaram” um motivo.

“Porque é que tivemos de sofrer tanto, com confinamentos, perda da nossa liberdade económica, perda de direitos, perda de relações e contacto humano?” – Muitos, simplesmente, nunca poderão aceitar que não havia motivo para tal. Preferem entrincheirar-se cada vez mais na crença de que há uma pandemia mortal e que precisamos impor medidas cada vez mais drásticas. Tornam-se defensores acérrimos da destruição.

2 – Tomada de Decisão

A vida é preenchida de decisões e as decisões (regra geral) causam dissonância.

Por exemplo, suponha-se que tinha de decidir se aceitava um emprego numa área deslumbrante do país ou recusar o emprego para ficar perto dos seus amigos e familiares. Fosse como fosse, iria experienciar dissonância. Se aceitasse o emprego, sentiria falta dos seus entes queridos; se o recusasse, ansiaria pelos belos riachos, montanhas e vales.

As pessoas têm várias formas de reduzir a dissonância que surge ao tomar uma decisão (Festinger, 1964 [4]). Algo que podem fazer é alterar o comportamento. Conforme observado anteriormente, é algo geralmente muito difícil. Por isso, as pessoas empregam frequentemente uma variedade de manobras mentais. Uma forma comum de reduzir a dissonância é aumentar a atractividade da alternativa escolhida e diminuir a atractividade da alternativa rejeitada.

Assim, aqueles que decidiram acolher as medidas impostas (máscaras, álcool-gel, confinamentos, recolher obrigatório, etc.), entrarão em Dissonância Cognitiva, e ser-lhes-á muito mais cómodo justificarem as medidas do que chegarem à conclusão que estas eram/são injustificadas.

Brehm (1956) [5] foi o primeiro a investigar a relação entre dissonância e tomada de decisão.

3 – Esforço Nesse Sentido

Valorizamos mais o que exigiu um esforço considerável para ser alcançado.

Se nos esforçarmos numa tarefa que decidimos realizar, e a tarefa obter maus resultados, sentiremos dissonância. Para reduzir essa dissonância, somos motivados a pensar que a tarefa obteve bons resultados, ou que precisamos esforçar-nos ainda mais!

Um estudo clássico sobre a dissonância de Aronson e Mills (1959) [7] demonstra esta ideia básica.

Mais uma vez, quanto mais nos esforçarmos (quanto mais medidas “preventivas” aplicarmos), mais difícil será admitir que não havia motivo para medidas tão desajustadas e destrutivas, e mais difícil nos será admitir que as medidas não serviram para nada, conforme demonstram as evidências.

Conclusão

Medidas que partem do princípio que o vírus tem horas e datas pré-estabelecidas, além de locais e eventos preferidos, são um atentado à inteligência de todos nós. Afirmações como a do Ministro do Ambiente que refere que não há perigo de contágio nos transportes públicos (frequentemente em sobrelotação) [6] deveriam invalidar a ideia do perigo de contágio em qualquer local.

Quanto mais rebuscadas, injustificadas e incoerentes forem as medidas forçadas sobre a população, mais esta entrará em Dissonância Cognitiva e mais dificuldade terá em admitir que as está a cumprir injustificadamente.

Para muitos, talvez seja necessário entrar num estado de precariedade total para que a motivação de se erguerem contra a Ditadura Sanitária fale mais alto.

Este artigo é para todos. Não só aqueles que caíram na armadilha da crença numa pandemia mortal, como para os restantes, pois estamos todos sujeitos à acção das medidas que nos são impostas.

Fontes:

[1] «Cognitive Dissonance.» Simply Psychology. 5 de Fevereiro de 2018.

[2] Festinger, L. (1957). A theory of cognitive dissonance. Stanford University Press.

[3] Festinger, L., & Carlsmith, J. M. (1959). Cognitive consequences of forced compliance. The Journal of Abnormal and Social Psychology, 58(2), 203–210. https://doi.org/10.1037/h0041593

[4] Festinger, L. (Ed.). (1964). Conflict, decision, and dissonance (Vol. 3). Stanford University Press.

[5] Brehm, J. W. (1956). Postdecision changes in the desirability of alternatives. The Journal of Abnormal and Social Psychology, 52(3), 384–389. https://doi.org/10.1037/h0041006

[6] “Não conheço nenhum caso comprovado de transmissão do vírus COVID-19 em transporte coletivo”. TVI24. 2 de Novembro de 2020.

[7] Aronson, E., & Mills, J. (1959). The effect of severity of initiation on liking for a group. The Journal of Abnormal and Social Psychology, 59(2), 177–181. https://doi.org/10.1037/h0047195

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