Medicamento que combate o cancro foi proibido

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fosfoetanolamina
fosfoetanolamina

Doentes que lutam contra o cancro entraram em pânico quando descobriram que não poderiam mais ter acesso à fosfoetanolamina, uma substância supostamente anti-cancerígena, produzida por um professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) no Campus de São Carlos no Brasil.

A decisão foi tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, que justificou a sua decisão afirmando “não existe nenhuma prova de que, em seres humanos, a substância, produza algum efeito no combate a doenças. Portanto, presentes os requisitos legais, o deferimento da suspensão é medida de prudência”.

Campus de São Carlos - Universidade de São Paulo
Campus de São Carlos – Universidade de São Paulo

Para compreender porque a medida gerou tanta insatisfação, é necessário regredir no tempo. O resultado da fosfoetanolamina em células cancerosas é estudado desde o começo dos anos 90 pelo professor da USP, Gilberto Orivaldo Chierice, actualmente reformado. Essa substância é sintetizada naturalmente em algumas células do nosso corpo, como as do fígado e as dos músculos do bíceps, por exemplo. Até ao ano de 2014, a versão sintética da substância era distribuída gratuitamente para os pacientes que procuravam um tratamento complementar ou alternativo.

Entre os relatos dos que se medicavam com fosfoetanolamina, existem curas sem cirurgia, reduções drásticas de tumores e melhoria nas dores típicas do tratamento. Alguns médicos chegaram a apoiar a utilização do medicamento, mesmo sem provas conclusivas de sua eficácia, estes acreditavam que a melhoria viria do efeito placebo associado a um tratamento tradicional, como a quimioterapia ou a radioterapia.

Estrutura da fosfoetanolamina
Estrutura da fosfoetanolamina

Em 2014, o Instituto de Química de São Carlos assinou uma portaria que proibia a produção e distribuição de substâncias médicas e sanitárias que não possuíssem os devidos registos e licenças. Como a fosfoetanolamina não tinha registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi proibida. Alguns pacientes começaram a recorrer à justiça com intuito que o medicamento voltasse a estar disponível. A USP afirmou que não possui meios para produzir as cápsulas em larga escala. Mas, por decisão judicial, foi obrigada a fabricar e fornecer a substância para mais de 360 pessoas entre meados de 2014 e Setembro de 2015.

A comunidade científica não reconhece a eficácia da fosfoetanolamina contra o cancro. Existem alguns estudos que mostram que a substância está relacionada com a morte de células cancerígenas, mas a Anvisa diz que, para obter o registo é necessário apresentar análises clínicas detalhadas.

Supostamente, o mecanismo de ação do medicamento é o seguinte: nas células cancerígenas, as mitocôndrias têm a atividade prejudicada. Isso acontece por falta de ácidos graxos, que são exactamente aqueles que a fosfoetanolamina fornece. Assim, se o paciente com cancro ingerir doses suplementares de fosfoetanolamina, em tese, as mitocôndrias voltam a funcionar. Isso faz com que o sistema imunológico seja alertado para a presença da célula cancerosa e assim activa o processo de apoptose, ou morte celular. Ou seja, o próprio sistema de defesa do organismo mata as células malignas.

Fonte: super.abril.com.br

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