Sobrepopulação: Mito ou Realidade?

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Comparativo de preço de cinco metais 1980-1990
Comparativo de preço de cinco metais 1980-1990

Tem sido muito propagada a ideia de que o mundo estará sobrepopulado de seres humanos, o que estará a sobrecarrega-lo, sobretudo ao nível do consumo de recursos, o que conduziu à consequente ideia da necessidade de uma redução populacional.

De onde surgiu esta ideia e será verdadeira ou outro mito sem base real?

1 – Thomas Malthus

O reverendo anglicano Thomas Malthus era um economista político, que em 1798, num ensaio (An Essay on the Principle of Population), declarou que o crescimento populacional ocorria em progressão geométrica (exponencial), enquanto que a produção de alimentos acontecia em progressão aritmética, algo que iria conduzir a uma drástica escassez de alimentos, fome, doenças, guerras e elevada mortalidade, naquilo que ficou conhecido como “Catástrofe Malthusiana”. [1]

As suas ideias foram muito influentes, mas as suas previsões negras sobre o futuro nunca vieram a concretizar-se, apesar da população ter continuado a crescer de forma bastante acentuada.

Na elaboração da sua teoria, Malthus ignorou factores fundamentais, sobretudo a criatividade humana.

2 – Neo Malthsianismo

Apesar do rotundo falhanço nas previsões de Malthus, o Malthusianismo foi revitalizado em meados do século 20.

Paul Ehrlich

Paul Ehrlich
Paul Ehrlich

Paul Ehrlich é um biólogo norte-americano que ficou célebre por reavivar teorias malthusianas, sobretudo com o seu livro “The Population Bomb.” [15]

Ehrlich tinha uma visão catastrofista da sociedade. Advogava o controlo populacional e o crescimento económico zero, para prevenir uma calamidade iminente, num futuro próximo, tendo granjeado de notoriedade ao ser convidado para aparições frequentes na comunicação social. [16]

Clube de Roma

O Clube de Roma, que é actualmente uma organização não governamental (ONG) iniciou-se em abril de 1968 como um pequeno grupo de industriais, políticos e cientistas que se reuniram para tratar de assuntos relacionados com o uso indiscriminado de recursos naturais.

Em 1972, o Clube de Roma, publicou The Limits to Growth (Os Limites ao Crescimento), que descrevia as ameaças que pairavam sobre a humanidade, devido ao crescimento populacional e ao consumo excessivo de recursos.

Em 1971, Forrester desenvolveu um modelo computacional para a população global, recursos e poluição que previa o fim do progresso económico da era industrial. Os seus jovens colegas, com Dennis Meadows como líder, acrescentaram algumas camadas de complexidade à sua simulação. Os autores usaram as perspectivas apocalípticas de Paul Ehrlich num modelo informático que deu mais peso às suas previsões.

Tal como Ehrlich, o Clube de Roma defendia um abrandamento no crescimento económico.

Estas previsões foram alvo de muitas críticas.

Hollis B. Chenery, um economista do Banco Mundial, considerou que a restrição do crescimento económico aumentaria a pobreza e a desigualdade e conduziria à guerra e à revolução. [2] Henry Wallich, um perito económico em finanças internacionais, criticou de forma semelhante as recomendações políticas anticrescimento do livro, considerando-as “suicidas”. [3]

Muitos outros criticaram a sedutividade dos modelos informáticos, que não obstante, são bastante precários ao nível das evidências oferecidas. As críticas foram bastante contundentes, afirmando que o livro “assume pressupostos arbitrários, conduzindo a conclusões arbitrárias apresentadas como se de ciência se tratassem.” [4][5] Entre os críticos, figuraram por exemplo, Max Lerner, H.S.D. Cole, Harold Barnett, Chandler Morse [6] e William Nordhaus, este último, economista proeminente, co-autor de um dos principais manuais utilizados nas licenciaturas desta área, e que referia que as conclusões retiradas no “Limits to Growth” não eram baseadas em dados e não tinham em conta parâmetros económicos fundamentais, como a inventividade humana. [7][8]

Nordhaus explicou que as novas tecnologias compensavam a escassez: “ferro, alumínio, e satélites de comunicação substituíram o cobre; o cloro substituiu o iodo; o processo de xerografia substituiu a utilização de estanho e chumbo na impressão”, e essa susbtituição irá continuar, a não ser que o futuro seja radicalmente diferente do passado. [7][8]

Robert Solow
Robert Solow

Outro crítico ilustre foi o prémio Nobel e economista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Robert Solow, que referiu que as conclusões do livro eram “inúteis como ciência e como guia para as políticas públicas”. [9][10][11][12][13]

Julian Simon, um economista de renome mundial, de quem falaremos mais tarde, foi outro dos críticos.

Nos últimos anos, foram produzidos muitos modelos informáticos em relação à COVID-19, e verificamos como estes podem redundar em erros enormes, porque se tratam de métodos essencialmente especulativos. [5]

Não obstante, o livro “Limites ao Crescimento” teve grande impacto a nível político, tornando-se num best-seller a nível mundial.

3 – Pessoas a mais?

Será que o mundo estará sobrepopulado, conforme tem sido defendido por muitos?

Então, façamos as contas:

Estima-se que actualmente, a população mundial esteja cifrada em cerca de 7,8 biliões de pessoas. A área de Espanha é 505.990 km², que são 505.990.000.000 m². Ou seja, se entregássemos cerca de 65 m² a cada homem, mulher e criança do planeta, toda a população da terra caberia no território de Espanha, deixando o resto do mundo livre de qualquer ser humano.

Metade da área do Alentejo (31.551 km² / 2), permitiria que se colocasse toda a população mundial em distanciamento social.

Prevê-se que a população estabilize nos 10 biliões, no final do século, decrescendo ligeiramente logo após, algo que parece ser perfeitamente comportável para o planeta.

4- Escassez de Recursos? A Aposta do Século

A população pode ocupar pouco espaço, mas os recursos que esta consome são excessivos. Será assim? É este o argumento que contra-ataca as alegações de que não há sobrepopulação.

Julian Simon, referido anteriormente, foi um professor universitário e economista, que se opôs às ideias apocalípticas de Paul Ehrlich. Inicialmente com uma carreira discreta, foi paulatinamente começando a aparecer de forma mais pública, no que veio a dar origem a um debate gradualmente mais aceso com Ehrlich.

Julian Simon
Julian Simon

Simon foi um escritor prolífico, publicando vários livros de Economia, muitos dos quais relacionados com esta temática, numa resposta às previsões alarmistas de Ehrlich.

No auge do debate, Simon desafiou Ehrlich para uma aposta. Uma vez que, segundo Ehrlich, os recursos iriam ficar cada vez mais escassos, à medida que eram depletados, inversamente ao aumento da população, seria lógico que o seu preço viesse a aumentar. Simon apostou que os preços ficariam mais baratos daí a uma década (seguindo a lógica do último século), e concedeu a Ehrlich a hipótese de escolher 5 recursos. Ehrlich e a sua equipa reflectiram e escolheram: Crómio, Cobre, Níquel, Lata, e Tungsténio. O valor simbólico foi de mil dólares. [16]

Uma década depois, num dia de Outubro de 1990, Simon recebeu pelo correio, na sua casa em Chevy Chase, nos subúrbios de Maryland, um pequeno envelope enviado de Palo Alto, Califórnia: um cheque com o valor da aposta. Ficava resolvida aquela que foi apelidada de “Aposta do Século”. [16]

Apesar de um aumento recorde na população mundial de 4,5 para 5,3 biliões, os preços dos cinco minerais caíram numa média de quase 50% (adaptado à inflação) e Simons provou como erradas as previsões apocalípticas. [Imagem do Post]

Esta aposta tornou-se numa arma simbólica.

Conclusão

Esta publicação é um resumo bastante incompleto acerca desta temática, deixando muitos aspectos importantes de fora, que espero sejam abordados em futuras publicações.

A histeria apocalíptica vociferada pelos [pseudo]ambientalistas tem vindo, ao longo dos tempos, a prejudicar um debate sério e racional acerca dos verdadeiros problemas ambientais, sabotando decisões sustentáveis.

Al Gore
Al Gore

As suas previsões têm falhado sistematicamente. Só para citar algumas: segundo os seus modelos matemáticos e baseando-se nas reservas conhecidas, o ouro deveria esgotar-se em 1984, o cobre e o chumbo, em 1985, o estanho em 1987 e o zinco em 1990. Já o urânio poderia faltar antes do final do século XX. [17] Em relação ao petróleo, somos constantemente alertados acerca da sua finitude. Al Gore vaticinava o derretimento total dos pólos em 2013 ou 2014. [18]

Os profetas da desgraça têm migrado de foco em foco: sobrepopulação, buraco do ozono e mais recentemente, o aquecimento global. Não obstante ser tudo mais baseado em propaganda do que ciência, fracassando em fornecer evidências das suas alegações, não se coíbem em assediar, censurar e cancelar aqueles cujas opiniões divergem, sendo estes os verdadeiros métodos utilizados, evitando o debate científico sério e rigoroso.

A existência de tais putativos problemas globais fornece justificação àqueles que desejam fortalecer entidades supranacionais, que se arrogam ao poder de interferir nas soberanias dos países, conduzindo-os para uma sociedade mais colectivista e favorecendo o empobrecimento das populações.

É o nivelar por baixo.

Fontes:

[1] «An Essay on the Principle of Population», Wikipedia

[2] “Economists, Ecologists Hotly Debating Growth vs. No Growth,” Hartford Courant, 11 de Maio de 1972.

[3] David C. Anderson, “A Careful Look at Growth as Suicide,” Wall Street Journal, 17 de Março de 1972.

[4] Max Lerner, “Just Imagine! We All Can Avoid a Certain Doomsday,” Los Angeles Times, 10 de Março de 1972.

[5] Cole et al. (1973). Models of Doom: A Critique of the Limits to Growth. Nova York: Universe Publishing.

[6] Barnett, H. J., & Morse, C. (2011). Scarcity and growth: The economics of natural resource availability. Resources for the Future Press (RFF Press).

[7] «World Dynamics: Measurement Without Data», The Economic Journal. 1 de Dezembro de 1973

[8] «Resources as a Constraint on Growth», JSTOR. Maio de 1974

[9] «Notes on “Doomsday Models”», National Library of Medicine. Dezembro de 1972

[10] «The Economics of Resources or the Resources of Economics», Springer Nature. 2008

[11] «Intergenerational Equity and Exhaustible Resources», Oxford University. 1 de Dezembro de 1974

[12] «The Economist’s Approach to Pollution and Its Control», JSTOR. 1972

[13] «Is the end of the world at hand?», Springer.1973

[14] «As projecções mirabolantes que lançaram alarmismo e conduziram ao confinamento em todo o mundo», Paradigmas. 11 de Julho de 2020

[15] «The population bomb», New York, Ballantine Books. 1968

[16] Sabin, P. (2013). The bet: Paul Ehrlich, Julian Simon, and our gamble over earth’s future. Yale University Press.

[17] Alexander King, Bertrand Schneider, Questions de survie, Paris, Calmann-Lévy, 1991.

[18] «Did Al Gore Predict Earth’s Ice Caps Would Melt by 2014?», Snopes. 17 de Abril de 2017

 

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