A estranha morte do activista Aaron Swartz

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O "suposto" suicídio do génio da programação e ativista Aaron Swartz

Aaron Hillel Swartz (Chicago, 8 de Novembro de 1986Nova Iorque, 11 de Janeiro de 2013) foi um programador, escritor, organizador político e activista americano na Internet. Swartz é co-autor da especificação RSS. Foi um dos fundadores do Reddit e da organização activista online Demand Progress. Era também membro do Centro Experimental de Ética da Universidade de Harvard.

Em 6 de Janeiro de 2011, Swartz foi preso pelas autoridades federais dos Estados Unidos, por compartilhar artigos em domínio público distribuídos sob cobrança pela revista científica JSTOR, acusado pelo governo dos EUA de crime de invasão de computadores – podendo apanhar até 35 anos de prisão e multa de mais de um milhão de dólares – pelo facto de ter usado formas não convencionais de acesso ao repositório da revista.

Swartz era opositor da prática da JSTOR de compensar financeiramente as editoras, e não os autores, e de cobrar o acesso aos artigos, limitando o acesso para finalidades académicas.

Dois anos depois, na manhã de 11 de Janeiro de 2013, Aaron Swartz foi encontrado enforcado no seu apartamento em Crown Heights, Brooklyn – num aparente suicídio, que deixou muita gente perplexa e com sérias dúvidas acerca do ocorrido. Após a sua morte, a promotoria federal em Boston retirou as acusações contra ele.

Vida e trabalho

Swartz nasceu em Chicago, Illinois, filho de Susan e Robert Swartz. A sua família é judia. O seu pai tinha uma empresa de software, a Mark Williams Company, e, desde pequeno, Swartz interessou-se por computação, estudando ardentemente aspectos da Internet e da sua cultura.

Aos 13 anos, Swartz ganhou o prémio ArsDigita para jovens criadores de “websites não comerciais, úteis, educacionais e colaborativos”. O prémio incluía uma viagem ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) e encontros com pessoas notáveis da Internet.

Aos 14 anos, Swartz colaborou com especialistas em padrões de rede, como membro do grupo de trabalho que inventou a especificação 1.0 do RSS. Sobre Swartz, a jornalista Virginia Heffernan escreveu no Yahoo! News: “Ele agitou sem cessar – e sem compensação financeira – o movimento em prol da cultura livre.”

W3C

Em 2001, Swartz juntou-se ao grupo de trabalho do RDF na World Wide Web Consortium (W3C), onde foi o autor do RFC 3870, Application/RDF+XML Media Type Registration. O documento descreve um novo tipo de multimédia para a web, “RDF/XML”, criado para suporte à Web semântica.

Markdown

Swartz foi também co-autor do Markdown um padrão de marcação simplificada derivado de HTML e do seu tradutor html2text.

Infogami, Reddit, Jottit

Swartz frequentou a Stanford University. Depois do verão do seu primeiro ano, participou do Y Combinator’s first Summer Founders Program onde iniciou a sua empresa de software Infogami. A plataforma wiki da Infogami foi usada para suportar o projecto Open Library do portal Internet Archive e web.py web framework que Swartz havia criado, mas ele sentiu que precisava de co-fundadores para prosseguir. Os organizadores do Y-Combinator então sugeriram que a Infogami fizesse fusão com a Reddit, o que aconteceu em Novembro de 2005.

Em Outubro de 2006, a Reddit foi adquirida pela Condé Nast Publications, proprietária da revista Wired. Swartz mudou-se da sua companhia de San Francisco para trabalhar na Wired. Swartz achou a vida no escritório desagradável e então deixou a empresa.

Activismo

Aaron Swartz
Aaron Swartz

Em 2008, Swartz fundou a Watchdog.net, “the good government site with teeth …” (“o bom site do governo, com dentes…”) para agregar e visualizar dados sobre políticos. No mesmo ano, escreveu um manifesto de grande circulação chamado Guerilla Open Access Manifesto.

Em 2010, Swartz co-fundou a Demand Progress, um grupo político de defesa para organizar as pessoas on-line para “agir contactando o Congresso e outros líderes, financiar tácticas de pressão e espalhar a palavra” sobre as liberdades civis, reformas do governo e outras questões.

Durante o ano lectivo de 2010-11, Swartz realizou estudos de investigação sobre a corrupção política como um Lab Fellow no Laboratório de Pesquisas sobre Corrupção InstitucionalEdmond J. Safra na Universidade de Harvard.

O autor Cory Doctorow, no seu livro «Homeland», baseou-se em conselhos de Swartz de estabelecer que o seu protagonista poderia usar a informação já disponível sobre os eleitores para criar uma campanha política anti-establishment de raiz. Num posfácio para a novela, Swartz escreveu: “estas ferramentas [de hacktivismo político] podem ser usadas por qualquer pessoa motivada e talentosa o suficiente… Agora cabe a você mudar o sistema… Diga-me se posso ajudar.”

Stop Online Piracy Act

Swartz foi fundamental na campanha para impedir a passagem da emenda Stop Piracy Act Online (SOPA), que alegadamente procurava combater a violação de direitos de autor na internet, mas foi recebida com críticas. Após a derrota do projecto de lei, Swartz foi o orador principal no evento F2C:Freedom to Connect 2012, em Washington, D.C., em 21 de Maio de 2012. O seu discurso foi intitulado: “Como travamos o SOPA“, no qual informou a audiência:

“Este projecto de lei visava fechar sites inteiros. Essencialmente, impediria os americanos de se comunicarem inteiramente com certos grupos …”

“Liguei para todos os meus amigos e ficamos a noite toda a criar um site para este novo grupo, Demand for Progress, com uma petição online contra essa lei nociva …. Nós conseguimos… 300 mil assinantes …. reunimo-nos com o pessoal de membros do Congresso e insistimos com eles …. E, mesmo assim, foi aprovada por unanimidade …”

“E então, de repente, o processo parou. O senador Ron Wyden bloqueou este projecto de lei.”

Ele acrescentou: “Ganhamos esta luta, porque todos foram os heróis da sua própria história. Todos tiveram o seu mérito em salvar esta liberdade fundamental “. Ele estava a referir-se a uma série de protestos contra o projecto de lei por inúmeros sites que foi descrito pelo Electronic Frontier Foundation como o maior da história da Internet, com mais de 115 mil sites, alterando as suas páginas.

Fonte: Wikipédia (Pt)

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