Porque protestar contra o FMI e o Banco Mundial? (Texto da Convergência Anti-Capitalista em Washington DC)

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Movimento de convergência Anti-Capitalista em Washington DC
Movimento de convergência Anti-Capitalista em Washington DC

O Paradigmas decidiu publicar um texto do movimento de convergência Anti-Capitalista em Washington DC, por nos parecer adequado dado o momento actual. Vejamos o que que nos diz o texto:

Porque protestar contra o FMI e o Banco Mundial?

A Convergência Anti-Capitalista está a organizar-se contra o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional por causa dos papéis que ambos exercem na afirmação e na expansão global do capitalismo e do imperialismo. Como retorno por empréstimos recebidos, os países subdesenvolvidos precisam seguir restritos programas económicos e sociais. Através do anti-democrático um dólar-um voto, os EUA, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Canadá e Itália – o grupo dos 7, possui mais de 40 % do poder nessas instituições, permitindo assim a ditadura das políticas que devem ser adoptadas pelos países do “sul global”. Essas políticas contradizem frequentemente as leis locais e a vontade expressa da população. Tal tem originado enormes protestos e greves gerais, das quais ouvimos pouco aqui nos EUA.

Sob o pretexto de cortar gastos desnecessários dos governos, a política do BM e do FMI corta subsídios a programas sociais, como transportes e Saúde, e também àqueles que mantêm o preço dos alimentos num nível adquirível, privatizando serviços nacionais tais como a eletricidade e a água. Essa política coloca e mantem os países em desenvolvimento na pobreza e na miséria. As mulheres são particularmente afectadas quando os serviços sociais são cortados porque precisam encontrar formas de providenciar cuidados médicos, educação, comida saudável e água para as suas famílias.

Para “humanizar” os negócios, essas instituições fazem com que os países em desenvolvimento mantenham os seus padrões trabalhistas, ambientais e na área da Saúde, o mais baixo possível. Esses limites diminuídos criam o que é conhecido como a “raça global do fundo do poço”, a qual faz com que as corporações vaguem pelo mundo à procura de um lugar onde possam ter o maior lucro possível, explorando os seres humanos e o meio ambiente para conseguí-lo.

O Banco Mundial e o FMI promovem políticas de exportação orientadas, as quais transferem dinheiro e actividades económicas da agricultura de subsistência e produção de bens e serviços necessários às comunidades para apoiar exportações de supérfluos e futilidades como flores e artigos de luxo (os quais não podem ser comidos!). O mandato dessas políticas promove a importação de colheitas baratas de agronegócios (localizados, na sua grande maioria, nos EUA) minando assim, a agricultura local. Na verdade, essas políticas forçam as pessoas – na sua maioria, raças marginalizadas, como negros e índios – a mudarem-se da zona rural para a zona urbana, permitindo que as corporações tomem a terra e os recursos naturais para si. Como a agricultura de subsistência foi tornada inviável, as pessoas são empurradas para a economia do salário mínimo… pela sua posição no Sul, o seu trabalho é menosprezado, desvalorizado e explorado.

Essa opressão e exploração de pessoas e do meio ambiente é só uma parte do sistema capitalista que se sustenta nas hierarquias globais de género, raça e nacionalidade para assim, manter os que estão no poder. Essas hierarquias levam ao aumento da riqueza daqueles que estão no topo às custas daqueles que estão lá em baixo.

Essas políticas não apenas ferem as pessoas e o meio ambiente, como não promovem nenhum desenvolvimento. Mais do que gerar dinheiro para as economias locais, essas políticas geram dinheiro para as corporações multinacionais. Pense nisso! O Banco Mundial e o FMI fazem com que os fundos económicos dos governos sejam retirados da economia, infraestrutura e desenvolvimento comunitário e social para, ao invés disso, pagar dívidas sob dívidas de velhos empréstimos.

Os empréstimos que os países estão a pagar actualmente são empréstimos secundários. Isso significa que eles tiveram de pagar empréstimos prévios porque as políticas não deram certo da primeira vez. Na verdade, a maioria dos países tem agora mais dívida do que na primeira vez que aceitaram a “assistência” do FMI e do Banco Mundial. As políticas de fundo, as quais as instituições apoiam, criam um ciclo vicioso de dependência pela associação com países subdesenvolvidos.

Com o seu poder a aumentar no sistema político americano, as corporações estão agora a empurrar essas políticas pela goela abaixo das comunidades, em particular, comunidades negras, latinas e asiáticas, nos EUA. Por décadas, o Banco Mundial e o FMI têm ordenado a privatização da Saúde pública em países em desenvolvimento – esse mesmo “empurrão” está a acontecer agora nos EUA.. Aqui em Washington DC, a pauta de negociações apontada federalmente privatizou o nosso único hospital público contra uma oposição unânime do Conselho da Cidade eleito e do público geral. Não surpreendentemente, os principais negociadores da privatização nos EUA e nos países subdesenvolvidos são os mesmos, a corporação controlada pelo governo federal norte-americano.

Os membros da Convergência Anti-Capitalista uniram-se para se organizar contra o Banco Mundial e o FMI acreditando que a mera reforma ou mesmo só a abolição dessas instituições não é suficiente. Em vez disso, lutamos para abolir o sistema capitalista de vez. Apesar de termos várias visões alternativas, vemos que o sistema presente é dirigido por uma lógica de exploração que vê os seres humanos como capital humano, os ecossistemas como “fontes” de recursos, e a cultura como simples comodidade e entretenimento. Rejeitamos a idéia de que o mundo só é valioso em termos de lucro, competição e eficácia. Dentre as várias visões por uma nova sociedade autónoma, estruturas anti-hierárquicas e cooperação mútua são o ideal.

Convergência Anti-Capitalista Washington DC

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