S & P: 60% dos países estará falido em 50 anos

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Falência
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Prevê-se que os EUA terão uma dívida de 415% do PIB em 2050

Cerca de 60% das economias do mundo estarão tão endividadas em 2060 que a dívida será rebaixada a um estatuto de “lixo” (“junk“), fazendo com que os países entrem em falência, afirma um relatório da agência de análises financeiras Standard & Poor’s, que também adverte que as tentativas para lidar com o problema podem causar instabilidade social.

O relatório (PDF) – Intitulado Envelhecimento Global 2010: Uma Verdade irreversível – diz que a proporção da população do mundo que é idosa está prestes a explodir, a tal ponto que muitos países simplesmente não serão capazes de acompanhar a bolha de custos dos cuidados de Saúde entre outros serviços.

Como os idosos vivem mais tempo, devido a melhores cuidados de Saúde, a proporção de idosos para o resto da população cresce, o que significa uma proporção cada vez mais reduzida de pessoas aptas para trabalhar e assim financiar os serviços para os idosos.

Mas o relatório adverte que os esforços para reduzir a escala de custos dos serviços públicos pode “testr a coesão social, de forma severa.” E os autores admitem que a opinião pública, em geral, é desfavorável aos cortes nos serviços sociais.

Actualmente, cerca de um em cada oito países possuem um dívida classificada como “lixo” (“junk“) – o que significa que a sua dívida é tão arriscada que apenas alguns investidores mais corajosos ousariam compra-la. Pouco menos de 30% dos países têm crédito Triplo-A, a melhor pontuação possível.

Mas em 2060, se as tendências actuais continuarem, o relatório prevê que 60% do total dos países terá a dívida classificada como “lixo” (“junk“), enquanto uma quantidade insignificante – talvez nenhum – terá uma classificação AAA. Os EUA estão entre os prováveis candidatos a estar no grupo da dívida classificada como “lixo”.

Quando o endividamento de um país é rebaixado para “lixo”, torna-se praticamente impossível para o governo garantir novos empréstimos. Assim, se o governo está a tentar baixar o defíce – como quase todos os países desenvolvidos estão a tentar fazer nos dias de hoje -, a sua capacidade de prestação de serviços entre em colapso.

O país também veria as taxas de juros sobre a dívida existente subirem drasticamente, o que torna mais difícil – senão impossivel – continuar a pagar a dívida. Num tal cenário, apenas um resgate operado por outros países ou instituições poderia salvar o país de uma declaração literal de falência – como foi o caso, este ano, da Grécia, cuja dívida foi rebaixada a “lixo”, tendo no entanto evitado a falência com uma ajuda enorme por parte da União Europeia.

Mas num cenário onde a maioria dos países estão a enfrentar um estatuto de dívida classificada como “lixo” de uma só vez, é difícil vislumbrar de onde poderiam vir os fundos de ajuda externa. Sem a opção de uma ajuda, só o aumento de impostos em massa, cortes generalizados de serviços e uma política de inflacção da moeda poderiam ter alguma chance de salvar o país da falência.

O relatório da S & P declara que a dívida global entre as médias dos países do mundo situa-se em cerca de 40% do PIB. Em 2050, o relatório prevê que terá explodido para cerca de 245% do PIB – duas vezes e meia o tamanho da Economia.

Especificamente para os EUA, o cenário é ainda pior: as previsões da S & P apontam para uma dívida nacional a explodir a partir de cerca de 69% em 2010 para 415% em 2050 – um nivel inédito, ultrapassando mesmo os níveis de dívida maciça vistos durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

“Os desafios são enormes para a grande maioria dos países abordados nesta pesquisa”, afirma o relatório. E resolver o problema – seja por meio de aumento de impostos ou cortes nos gastos, ou ambos – “podem colocar o relacionamento entre o Estado e o eleitorado sob pressão e testar severamente a coesão social”.

O relatório continua: “Contudo, o nosso estudo sugere que, a menos que os países soberanos avancem com reformas a um ritmo mais rápido, a pressão fiscal será cada vez mais insustentável. Ao mesmo tempo, o perfil demográfico do envelhecimento dos seus eleitorados poderá muito bem fazer com que o clima político para a reforma de pensões e programas de Saúde se torne ainda mais difícil do que é actualmente…”

O relatório sugere que os governos comecem a enfrentar o problema quanto mais cedo melhor, porque quanto mais se atrasarem, mais dificuldades terão em lidar com o mesmo.

Lidar com o problema “pode ser vital para a manutenção da estabilidade social. Afinal de contas, alterar o escopo da pensão pública e da prestação de cuidados de Saúde pode, se for abraçada em breve, ajudar a espalhar o impacto durante um período prolongado, com o ónus do ajuste compartilhado entre gerações de contribuintes e eleitores”, afirma o relatório.

Para o seu estudo, a S & P observou todos os países da OCDE – um grande conjunto de economias mais avançadas do mundo, incluindo os EUA e a maioria dos países ocidentais, bem como todos os 32 estados membros da UE e uma selecção de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, a China e a Índia.

Daniel Tencer
9 de Outubro de 2010

Fonte: The Raw Story

Artigo Original: http://www.rawstory.com/rs/2010/10/09/sp-60-countries-bankrupt-50-years/

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