Ataques aos pórticos da A22 revelam um povo que está em vias de deixar os "brandos costumes"

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Bloqueios nas Scut's
Bloqueios nas Scut's

Na madrugada do dia 12 de Dezembro de 2011, os pórticos de cobrança de portagens na A22 (Via do Infante) no Algarve, junto ao nó de Boliqueime, foram baleadas e uma estrutura de apoio com meios informáticos incendiada. Várias câmeras de leitura instaladas no pórtico foram destruídas com recurso a armas de fogo.No dia seguinte, os pórticos de cobrança de portagens da  A22, no sentido Algoz-Guia, começaram a arder. Na sequência do incidente, um funcionário da Euroscut Algarveacabou por ficar ferido, mas sem gravidade.Há alguns meses atrás, foram incendiadas três estruturas de apoio aos pórticos na mesma via. As estruturas vandalizadas são as pequenas casas de betão onde está resguardado o equipamento eléctrico para o funcionamento das portagens. O incidente ocorreu em Boliqueime, Loulé e Olhão.

Tais incidentes são a consequência mais proeminente de um povo que visivelmente se começa a fartar de um Governo (composto pelos sucessivos governantes que o representaram) que é, desde há muito surdo em relação aos interesses da sua população. Tratam-se, de resto, de manifestações legítimas de quem se apercebe que os seus governantes não estão interessados em governar em prol do seu país e dos seus próprios cidadãos, estando isso sim, ao serviço de um sistema corrupto, onde o paradigma da ganancia e a “lei do mais forte” imperam e ditam as suas leis.

Podem questionar-se os métodos mais ou menos violentos com que se manifestam as pessoas, mas começa a tornar-se cada vez mais claro, que só através de uma acção determinada é que poderá um dia inverter-se esta situação intolerável à qual nos vemos chegados, enquanto humanidade e civilização.

Eça de Queróz imortalizou a alcunha considerando os portugueses um “povo dos brandos costumes”. Salazar aproveitou a deixa e alimentou o ego do povo dessa forma, sendo o interesse dissimulado, o de garantir um povo inepto, apalermado e domesticado.

Ainda se nota a apatia e a domesticação na generalidade dos portugueses, mas cada vez mais a revolta ferve no sangue deste povo há muito enganado, desconsiderado, desprezado e vilipendiado.

As manifestações da Greve Geral de 24 de Novembro e os sucessivos ataques aos pórticos de cobrança de portagens da A22 poderão ser o indício de que está a despertar esse gigante adormecido: o Povo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Também é uma possibilidade.

    Não está nada mal visto, esse ponto de vista. Um estado policial alimenta-se desse tipo de logros para justificar acção policial e de controlo. (com excelente exemplo que temos do Patriot Act após o 11/9).

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