Estados Unidos levam o ouro da Ucrânia mas não devolvem o ouro da Alemanha

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As reservas de ouro da Ucrânia foram transladadas para os EUA
As reservas de ouro da Ucrânia foram transladadas para os EUA

As reservas de ouro da Ucrânia foram transladadas para os EUA. A rapidez com que os Estados Unidos procederam a esta transferência contrasta com o actual ritmo a que devolvem o ouro da Alemanha.

Com as reservas de ouro da Ucrânia, assistimos a um novo capítulo – e escândalo – no conflito deste país da Europa de Leste e na hegemonia e domínio dos Estados Unidos. As reservas de ouro da Ucrânia foram transladadas na madrugada de Sexta-Feira (7 de Março) para os Estados Unidos, segundo informa o diário russo Iskra, de acordo com fontes de um ex alto funcionário do Ministério das Finanças ucraniano. Esta informação é confirmada pelo ex executivo do Goldman Sachs, William Kaye, numa entrevista recolhida pelo King World News, que salienta que o ouro ucraniano foi levado por um longo período de tempo.

Os factos

Aproveitando a escuridão da noite, às 2h da manhã, quatro camiões e dois mini-bus sem matrícula chegaram ao aeroporto Boryspil, de Kiev, e transladaram a pesada carga para um avião. Uma equipa de quinze pessoas, com uniformes negros, máscaras e metralhadoras, realizaram o transporte das caixas para o avião. Foi tudo feito com grande pressa e, ao terminar a carga, o avião descolou com carácter de urgência. No aeroporto não foi facultada nenhuma informação sobre o sucedido e os funcionários declararam não saber o que estava a ocorrer, ainda que tenham considerado o facto incomum.

Um ex alto funcionário do Ministério das Finanças da Ucrânia confirmou que a nova liderança ucraniana, apoiada pelos Estados Unidos, ordenou o transporte do ouro para a Reserva Federal desse país. De acordo com o World Gold Council, as reservas de ouro da Ucrânia eram de 42 toneladas em Fevereiro deste ano, equivalentes a quase 2.000 milhões de dólares (de ouro, a 1.370 dólares a onça), que bem podem compensar os 5.000 milhões de dólares (em notas) com que os Estados Unidos apoiaram a extrema direita que hoje está no poder ucraniano.

O ouro alemão

O que causa maior assombro é a rapidez com que os Estados Unidos transladaram o ouro da Ucrânia. Em Janeiro do ano passado, a Alemanha solicitou aos Estados Unidos a repatriação do ouro alemão, que está sob custódia da Reserva Federal em Fort Knox. No entanto, durante todo o ano de 2013, os Estados Unidos apenas liberaram 33 toneladas de ouro das 1.500 toneladas que guardam da Alemanha. Recordemos que, em finais de 2012, e ante a pressão exercida pela guerra de divisas, o Escritório Federal de Contas da Alemanha criticou o Bundesbank por não supervisionar adequadamente as suas reservas de ouro. Os títulos mundiais de ouro dos países em Fevereiro de 2014, de acordo com o World Gold Council, eram as seguintes:

Reservas Mundiais de Ouro
Reservas Mundiais de Ouro

Como assinalamos neste artigo, o Bundesbank declarou que todo o ouro alemão deve estar de volta nas abóbadas de Frankfurt antes de 2020. O que deve ficar bem claro para a Alemanha é que, ao actual ritmo de 33 toneladas anuais a que os Estados Unidos devolvem o ouro, este país demorará mais de 40 anos a concretizar o pedido do Escritório de Contas da Alemanha (ainda que se o fizesse ao ritmo com que saqueou as reservas da Ucrânia, levaria menos de 15 dias). Os alemães deveriam dizer algo sobre este tema. O concreto é que se a Ucrânia pediu à Reserva Federal a custódia do ouro deve ter noção de que este não lhe será devolvido com a mesma velocidade, tal como está a ocorrer com a Alemanha. Ou seja, o ouro iniciou uma longa viagem, talvez sem volta.

De acordo com o World Gold Council, estes são os principais países proprietários de ouro:

Reservas Mundiais de Ouro
Gráfico dos principais países com ouro

Se os Estados Unidos têm tanto ouro como dizem as estatísticas do World Gold Council, porque não apressam a devolução do ouro à Alemanha? E por que é que a Alemanha não pressiona mais os Estados Unidos para a devolução do ouro? Uma resposta curta é a seguinte: ambos os países pendem por um fio – os Estados Unidos pelo dólar, e a Alemanha pelo euro. A brecha destas moedas fiduciárias põe em perigo a hegemonia destes dois países. E a diferença face a outrora é que nenhum deles pode suportar uma nova Guerra para se manter em pé. Há que apelar à simples fraude às claras. Os Estados Unidos não têm todo o ouro que declaram (pelo menos, fisicamente), e a Alemanha também não é 100 por cento dona do ouro que diz possuir. Ambas as falhas se complementam. Por sua vez, a China durante 2013 comprou 40 toneladas de ouro… por semana.

Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado no El Blog Salmón.

Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net

Artigo publicado em: http://www.elblogsalmon.com/economia/estados-unidos-se-lleva-el-oro-de-ucrania-pero-no-devuelve-el-de-alemania

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